Posts Tagged ‘USA’

Poema

Do I contradict myself? Very well then, I contradict myself. (I am large, I contain multitudes).
Walt Whitman

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06 2013

Telegraph Avenue

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Muito bom. Quase 500 páginas, o que faz dele um livro longo mas não demais. Demorei prá ler. O que vou dizer aqui pode parecer estranho, mas vou tentar explicar. Demorei porque esse livro é cheio de palavras. É um palavreado só. Assim: é claro que todos os livros são cheios de palavras. Óbvio. Mas tem frases, parágrafos mais leves, partes que são ligações entre acontecimentos, insights, revelações. Esse livro não tem isso, todas, TODAS as palavras são importantes. Dá prá sentir que o autor pensou e lutou e pesquisou até as palavras mais simples. Nada está ali por estar. Fica meio cansativo pro leitor – pelo menos prá mim – mas ajuda a gente a ver a mão do escritor. Mesmo do Michael Chabon, que é um mestre. Então gostei bastante do livro, não vou esquecer dos personagens e do mundo que ele criou, mas tive que ler devagar. Demorei uns 20 dias. Pelo menos deu prá diminuir a imensa pilha de New Yorkers que me cerca. Um pouco do livro, uma New Yorker. Na noite seguinte, repetir a operação. Agora quero ler alguma coisa bem livre leve solta.

22

05 2013

Porquê?

Tem muita coisa misteriosa no mundo. Uma das que mais me intrigam é porque algumas coisas que podem acontecer a qualquer hora acontecem na pior hora. Aqui nos EUA é obrigatório ter alarme de fumaça em casa; a companhia de seguro exige e os fiscais que inspecionam depois de uma reforma ou construção também. Eu tenho 3 aqui em casa: dois no corredor e um no meu quarto. Eles são ligados na eletricidade e também tem uma bateria. Agora, me explica porque essa bateria sempre, mas sempre, acaba de madrugada. Já tive alarme em várias casas e apartamentos. É sempre a mesma coisa. Duas da manhã, três da manhã, nunca às duas da tarde, às três da tarde. É um apito, um alarme tão forte, que quase mata a gente do coração. Pula da cama, acende a luz, acha uma escada, sobe na escada, desatarracha o alarma do teto, desencacha os fios, desce da escada, tira a bateria. E aí volta prá cama, com o coração acelerado, xingando o alarme, o inventor do alarme, o fabricante do alarme, a mãe do fabricante, a avó do inventor, e assim por diante. É ou não é uma coisa misteriosa?

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17

05 2013

Praga

Praga

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30

04 2013

Rabiscado pelo autor

Rabiscado pelo autor

27

04 2013

The Croods

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O melhor filme do ano. Sem sombra de dúvida. Fazia tempo que eu não ria tanto em um filme. Excelente.

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25

04 2013

EUA vilão, EUA mocinho?

Essa coisa de mídia social faz a gente saber muito mais do que antes as opiniões das pessoas. E com essas bombas em Boston muita gente aí no Brasil postou o que pensa sobre o assunto. E sobre os EUA. Eu moro aqui faz tempo, e posso dizer que sei como o país funciona, da mesma maneira que sei como o Brasil funciona. Como é o sistema político, quais as principais forças políticas, como o país é dividido, etc. Sabe do que eu tô falando? Aprendi a distinguir as diferenças entre alguém que mora na costa oeste, no centrão, no sul, na cota lesta, da mesma maneira como no Brasil sabemos distinguir quem é do sudeste, do nordeste e assim por diante. Mas isso, é claro, é meio estereotipado, preto e branco. Tem obviamente todo tipo de pessoa em todos os lugares. Também aprendi o que é importante aqui prá maioria das pessoas, quais os valores mais estimados. Emprego, patriotismo, fé em alguma religião (menos Islã…) e fama/celebridade: isso mais ou menos resume as ambições americanas.

Também sei os defeitos; não suporto essa coisa nacionalista, essa coisa de ser o melhor país do mundo (melhor prá quem?!?!), e principalmente essa coisa de ser a polícia do planeta – que na verdade é uma máscara prá poder entrar em todos os cantos e espalhar os “business”, vender Coca-Cola, armas, cigarro e tudo o mais prá todo mundo. Essa idiotice de achar que o pessoal do Oriente Médio quer acabar com a liberdade do povo americano, isso me deixa louca. E pior, eles falam “acabar com as nossas liberdades”, põe no plural, o que não faz sentido. Outra coisa que me irrita é como tudo é o melhor do mundo; o campeonato americano de beisebol – esporte que além de tudo é praticado por poucos países do mundo -  é chamado de “world series”, ou seja, como se o time que ganhasse fosse campeão mundial. Pô, que idiota! E tudo é assim. Hoje mesmo a Gwyneth Paltrow foi “eleita”  pela revista People a mulher mais bonita do mundo. Como assim??! Nada contra a Gwyneth, mas eles olharam o resto do mundo? Esse EUA-centrismo é de uma pobreza cultural, política, sociologica incrível, além de ser uma falta de sensibilidade absoluta.

Mas adoro a mistura de povos, a imensa produção cultural (tem de tudo, do horrível ao maravilhoso), a constituição e a Bill of Rights feitas lá no finalzinho do século 18, a beleza natural do país. A democracia é imperfeita, mas tá aí faz tempo. O processo político é complicado, barroco até, elegem-se umas antas, gastam-se fortunas nas eleições, e o que realmente acontece nos bastidores da Casa Branca e do Congresso nunca saberemos, e é isso que governa o país; o povo tem apenas a ilusão que participa. Mas não é assim em todos os lugares? Não somos governados/manipulados pelos governos/bancos/interesses econômicos/etc. no mundo todo? Achar que é diferente é inocência de adolescente idealista.

Então os EUA, como o Brasil, é altamente complexo, diversificado, e cheio de defeitos e qualidades. Não é esse lugar que muita gente no Brasil imagina. Não adianta ter feito turismo um monte de vezes; a gente só conhece mesmo um país quando mora nele, quando vive o dia-a-dia. Não é monoblóquico. O governo, CIA, etc. não vivem de enquadrar inocentes, e conspirar contra o resto do mundo, e fazer atentados contra a própria população e colocar a culpa em inocentes. Não acho nem de longe que o governo americano foi algum dia e é hoje puro e inocente. Muito pelo contrário: eles foram/são grandes manipuladores mundiais, e protegem a quase qualquer custo os interesses americanos. Mas isso de dizer que estão enquadrando os dois moços de Boston é bobagem. A imensa mídia americana, que não deve ser colocada como uma coisa só, porque é muito variada (principalmente com a internet) não deixaria passar isso. Todas as crítica feitas pelos brasileiros são feitas aqui também; todas as perguntas ditas não respondidas feitas pelos brasileiros também foram feitas aqui. As pessoas olham a CNN e acham que aquilo é os EUA. É a mesma coisa que achar que a Globo é o Brasil. Aliás, a Globo é mais representante do Brasil do que a CNN é dos EUA.

Não estou defendendo os EUA, porque eles realmente não precisam de mim prá isso. Mas estou tentando dizer que a realidade é mais complicada do que “EUA inimigo, EUA vilão”. Em todos os países tem o bom e o ruim. A Suécia, um dos lugares que mais respeitam os direitos do cidadão e que tem nível de vida mais alto tem um imenso movimento neo-nazista. A Austrália, democrata, moderna, é um dos lugares com política imigratória mais restritiva. O Brasil, maravilhoso em tantos aspectos, tem políticos horrorosos; o que é esse pastor que preside agora a comissão de direitos humanos? O mundo é imperfeito, nós somos imperfeitos, mas um pouco de bom senso e conhecimento histórico não fazem mal prá ninguém.

24

04 2013

Chute

Vou chutar. É sobre as explosões em Boston, no local de chegada da Boston Marathon. Não sei nada além do que a CNN tá falando, mas vou chutar. O(s) culpado(s) é/são terrorista(s) doméstico(s), e a causa são as restrições – mínimas – sobre armas que estão sendo discutidas aqui nos EUA. É chute. Apenas isso.

15

04 2013

How Literature Saved My Life

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Esse livro foi uma montanha russa prá mim. Teve momentos em que eu adorei, outros em que não tinha idéia do que ele tava falando, outros que achei totalmente chatos. Livro estranho. É autobiográfico (acertei, polícia das novas regras gramaticais? Não pus hífen…) e confuso, não tem – provavelmente eu que não consegui achar por pura incompetência intelectual – uma linha, alguma coisa que junte as partes. Sei lá. Às vezes acontece, um livro que não é prá mim. E o pior é que o título é ótimo, e eu acredito plenamente que a literatura salva vidas.

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08

04 2013

Empregadas, culpa e um sistema novo

Minha visão sobre a vida com empregadas domésticas mudou completamente em 1994, quando me mudei pros EUA. Aqui não tem disso. Tem faxineira, que cobra por hora. Me acostumei imediatamente, sem esforço. Faxineira duas vezes por semana, e a família ajudando. E olha, eu em São Paulo tinha um exército de empregados; quando casei meu marido já tinha a casa montada e esse sistema instalado, nos moldes da mãe dele. Um exército. E quando eu pensava em não ter todas essas pessoas me dava mêdo, como se delas dependesse a minha vida. Vim pros EUA e descobri que não precisava. Que é uma coisa cultural tão entranhada na gente que parece quase como o ar que se respira. Aliás, uma das melhores coisas de vir pros EUA foi a descoberta da privacidade. Ficar dias a fio sozinha em casa, sem ninguém prá ver o que eu como, visto, falo ou assisto. Aqui tenho a faxineira duas vezes por semana, 6 horas cada dia. Se eu não tivesse cachorro era só uma vez por semana. Eu cozinho, tiro lixo, rego o jardim, lavo louça, e muito mais. A faxineira limpa banheiros, faxina a cozinha, limpa o chão e lava a roupa (eu lavo parte da minha). Acostumei tanto que nos dias em que a faxineira vem – e ela é muito querida, adoro a Dani – não vejo a hora dela ir embora! Empregada doméstica, além de ser herança da escravidão, é a luta de classes dentro de casa. E é cruel também. Aquela pessoa dedica a vida dela prá fazer o que a gente acha que é superior demais prá fazer. Fica à disposição 24 horas por dia. Vê o que a gente compra e sabe que uma sacola daquelas tem dentro o equivalente ao que ela ganha em uma semana, ou mesmo o mês inteiro. Que um quadro na parede compraria uma casa prá ela. Que uma viagem nossa pagaria a educação de um filho. Mas quando a gente tá envolvida no sistema não pensa assim, é natural essa convivência; mas quando a gente vê de longe é horrível. Fico coberta de culpa dos anos em que fui insconsciente de tudo isso. E olha que fui patroa boa, daquela que dá além do normal. Mas mesmo assim era cruel, e anacrônico. Todos nós sabemos de histórias horríveis, de gente que não permite que a empregada coma a mesma comida que os patrões; gente que tem tranca na geladeira e de manhã dá prá empregada o que ela vai usar naquele dia e volta à trancar. Folgas quinzenais. Quartos minúsculos. E assim por diante. Acho que essa lei já deveria ter sido feita faz muito tempo. As pessoas vão se ajustar, as empregadas que gostam do emprego farão acordo com as patroas, e a maioria vai virar faxineira. Um trabalho que ocupa 6.6% da população tem que ser no mínimo justo. E a brasileirada vai ter que começar a pôr a roupa na máquina, a varrer o pátio, a fazer cama, a limpar a geladeira…  É muito bom ser auto-suficiente, viu?

28

03 2013