Born Round
Frank Bruni foi crítico de restaurantes no New York Times durante a década passada. Ele acabou de sair do cargo. Publicou esse livro de memórias. Achei que seria interessante. Grande parte do livro é sobre a família dele, sobre sua infância e adolescência. Depois a carreira como jornalista profissional, cobrindo política em Washington, como correspondente internacional em Roma e, finalmente, como crítico de restaurantes em Nova York.
Mas na verdade ele passa o livro todo falando da luta dele contra a balança. Que tamanho de calça usava em tal época, como aumentou ou diminuiu. Como tava gordo quando cobriu tal acontecimento. E depois como conseguiu emagracer e manter o peso. Ou seja, quando ele fala que foi jantar no El Bulli, não fala do que comeu. Mas sim de quanto exercício fez prá não engordar. E contando anos de refeições em restaurantes maravilhosos em NY, não fala quase nada dos pratos, mas muito de quantas milhas correu. Fala um pouco da função de crítico, da pressão, de não ser reconhecido ou de ser e poder julgar o restaurante assim mesmo. Mas fiquei com vontade dele ter escrito outro livro, não esse que escreveu. Um livro mais interessante, menos auto-indulgente. Quem sabe ele ainda faz um assim? Ele escreve bem; mas as críticas dele, que li muitas vezes no New York Times, eram mais inteligentes e engraçadas do que o livro. Ou seja, quem sabe ele deveria ter criticado a vida dele com o mesmo entusiasmo e humor com que criticava restaurantes?



















