Posts Tagged ‘NYC’

Os livros vivem!

Ouvindo Hilary Hahn tocando as Partitas for Solo Violin de Bach. Emocionante. E na internet, indo de um lado pro outro, um link me levando ao outro. Mas parei em um site que eu acho maravilhoso: o Underground New York Public Library. Todo mundo usa o metrô em Nova York, e muita gente o pega todos os dias por bastante tempo. E uma boa parte passa o tempo lendo. Então esse cara teve a idéia de fotografar as pessoas lendo e perguntar qual é o livro. Ele posta as fotos e o nome do livro. As fotos são lindas e as pessoas lêem as coisas mais estranhas. É emocionante, assim como Bach. Se eu continuar ouvindo isso e lendo esse site, vou começar a chorar de pura emoção. Ou será velhice? Mas é que esse site me dá um pouquinho de esperança de que o livro não está morto, que a literatura, apesar de tudo, sobreviverá.

“Wolf Hall”, Hilary Mantel

“Talmud”

“Incidents in the life of a Slave Girl”, Harriet Jacobs

“Notes from the Underground”, Dostoyevsky

“The Price of Motherhood”, Ann Crittenden

Todas as fotos daqui.

02

12 2012

ABC

Já falei aqui que a ABC Carpet & Home é uma das lojas mais bonitas do mundo. Olha se não é.

Dá vontade de comprar quase tudo. Mas além de ser uma loja de coisas na sua maioria de luxo, ou seja, versões mais bonitas do que a gente já tem, é caríssima. Tem algumas coisas que são acessíveis, outras que são absurdas.

No quesito absurdo, por exemplo, essas colheres de pau custam US$75. Você pagaria 150 reais por uma colher de pau, por mais bonita que fosse? Eu nem morta. E olha que adoro colher de pau, tenho uma boa coleção que é usada intensivamente na minha cozinha. Mas mesmo sem comprar nada vale a pena visitar essa loja linda.

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09

10 2012

Ippudo

Esse é um dos restaurantes preferidos do meu filho Pedro em Nova York. Faz tempo que ele quer me levar.

É assim: não aceitam reserva e se você chega às seis da tarde já tem uma hora de espera prá jantar! Solução: juntar almoço com jantar e chegar na hora que abre, às cinco. Foi o que fizemos e quando abriu já tinha uma filinha de umas 6 mesas. Aí você entra e a pessoa que te indica o lugar – são mesas comunitárias – fala uma coisa alto em japonês e todo o pessoal que trabalha lá, inclusive na cozinha, que é aberta, responde outra coisa em japonês também. Isso acontece com todo cliente que entra. Sei lá o que falam, pode até ser “mais um cliente idiota chegando, gente”…

Pedimos isso de entrada; a carne no meio é porco. Esse pão é da consistência de nuvem, tão leve, uma coisa maravilhosa. Pedimos também um rolinho primavera que era tão bonitinho e delicioso que não deu tempo de fotografar.

Aí vem a “pièce de resistance”, a sopa com ramen. A que eu pedi chama Akamaru Modern, com o caldo feito com a receita secreta do Ippudo de pasta de miso “Umami Dama”, um tipo de carne de porco chamado “chashu”, que é uma maneira cantonesa de fazer churrasco/assado de porco (é o n°28 na lista das 50 comidas mais deliciosas do mundo compilada pelos leitores do site da CNN), repolho, cogumelos kikurage, gergelim, cebolinha e óleo de alho. E claro, embaixo de tudo tem o ramen. Aí você pode pedir um ovo, que eles cozinham com a gema um pouco mole. Você mergulha nisso tudo, comendo com colher e pauzinhos. Se quando você acabar de comer o ramen ainda tiver sobrado caldo pode pedir mais ramen. Mas é impossível, porque é bem grande. Absolutamente delicioso. Recomendo. O endereço é 65 Fourth Avenue (entre 9th e 10th Street). 

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04

10 2012

Biblioteca

Fui na biblioteca na 5° avenida com rua 42, onde sempre tem exposições interessantes. Dessa vez tinha duas: uma sobre o Charles Dickens e outra sobre a história de almoçar fora em Nova York. A do Dickens era bem pequena e não podia fotografar. O mais interessante eram dois cadernos dele, um pequeno tipo agenda e outro com anotações. Ele tinha uma letra pequena e muito bonita.

Atrás da biblioteca tem o Bryant Park, que é uma graça. Olha esse tapete de hera!

A fachada do prédio é famosa e bem bonita.

Mais famosos são os dois leões. Tem um de cada lado do começo da escadaria na frente do prédio. Eles viraram o símbolo da biblioteca.

A exposição sobre almoçar fora em Nova York começava com uma explicação sobre a palavra “lunch” (almoço em inglês) e sua evolução na língua inglesa. Adorei ver ali um exemplar do dicionário feito pelo Samuel Johnson, publicado em 1755 e que foi por 155 anos a principal referência da língua.

Foi interessante ver um “automat”, que eu só conhecia por fotografia. Eles existiram em Nova York de 1912 até a década de 70. A pessoa colocava as moedas e retirava o prato escolhido na janelinha onde ele estava.

Uma sala dedicada aos anos 50 e ao ápice da profissão de dona-de-casa…

Cartaz da época da depressão dos anos 30, quando desempregados recebiam maças de graça prá vender nas ruas de Nova York.

Um menu de um restaurante chique dos anos 30. É interessante ver como mudam as modas culinárias e os nossos hábitos.

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01

10 2012

PAM! Ai!

Não foi a primeira vez. E posso dizer que não será a última. Levanto prá ir ao banheiro, estou em um quarto estranho de hotel e PAM, dou de cara na parede. Dessa vez fui com tudo. Na hora, meio dormindo, coloquei uma toalha molhada na água fria da pia, pus no rosto por um minuto e voltei prá cama. Demorei prá dormir mas consegui. Quando acordei vi que meu pijama tinha uma mancha de sangue e vi uns pingos de sangue também no chão do banheiro. Assoei o nariz e saiu mais sangue. No meio do nariz, um inchaço nada atraente. Nada escandaloso, mas ali, e dolorido quando toco. Isso faz 5 dias e ainda hoje tá levemente roxinho, assim coloridinho. Bem onde pousam os óculos. Na foto não dá prá ver. Mas tá lá.

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29

09 2012

Sopa, sorvete e tango

Sopa vietnamita, deliciosa, restaurante Republic.

Acompanhada por limonada com mangericão asiático, deliciosa.

Achei meu sorvete preferido, uma rede francesa chamada Amorino! Nem sabia que tinha em Nova York.

Olha isso. Caramelo e chocolate.

Na Union Square, começo da noite, pessoas dançando tango.

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27

09 2012

Niunók

Niunók é como a Flora falava New York quando era menor. É claro que pegou e a gente vira e mexe fala Niunók…

Perto do meu hotel tem um Le Pain Quotidien, uma rede de restaurantes que eu adoro. Perfeita prá café da manhã tardio, já meio almoço.

A que tenho ido fica no térreo da ABC Carpet & Home, que é uma das lojas mais bonitas do mundo, sem exagêro.

Depois peguei um táxi e ele me depositou, sem muito trânsito, na porta do Jewish Museum, na 5° avenida com a rua 92. Primeiro vi essas duas exposições.

A “Crossing Borders” é uma seleção de livros da bibioteca Bodleian, da Oxford University. Crème de la crème! São livros da coleção judaica, que começou no século XVI, com o apoio do Henrique VIII. Esse livro acima, por exemplo, são os quatro testamentos escritos em siríaco (dialeto aramaico, uma grande língua literária), provavelmente feito no século 5. Olha o estado do livro, que maravilha! Eu tenho livros que comprei faz 20 anos que estão bem pior que isso.

Olha que interessante, como o texto é complementado por ilustrações nesse acima.

Nesse também, e é todo anotado.

Esse é um pentateuco hebraico do século 15, italiano.

A instalação “The MessiAss’ Glass”, do Izhar Patkin, é uma instalação muito bonita e interessante, misturando iconografia judaica, vidro e tecido.

Aí fui ver a exposição do Edouard Vuillard, que foi a causa da minha ida ao Jewish Museum.

Lindo, lembra Matisse, mas menos abstrato nas manchas de cores. Eles foram contemporâneos. Sou mais Matisse, mas Vuillard me impressionou.

Principalmente as litografias, que tem mais de 100 anos e são moderníssimas.

Essa é linda.

Esse quadro era pequeno e bem clássico, mas tão bonito…

Saindo de lá desci a 5° avenida até a rua 86 e entrei na Neue Gallery, onde não pode tirar foto nem em pensamento. A Neue foi fundada pelo filho da Estée Lauder, que é um grande colecionador de arte alemã e austríaca, principalmente do final do século 19 e primeira metade do 20. A exposição principal era do Ferdinand Hodler, um pintor suíço que morreu em 1918. Interessante, obra forte e complexa.

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25

09 2012

Variado de NY

Olha aí na rua. Deve estar vazio. Tá todo mundo aqui em Nova York. Tem brasileiro em todo lugar. Além dos meus estimados compatriotas tem bastante jovens asiáticos, não sei se japoneses ou chineses ou ambos.

Tinha desacostumado de cidade barulhenta. Lá no meu pedaço atual o silêncio é total.

Apesar de vir prá cá a mais de trinta anos e de ter morado aqui ainda me espanto com a quantidade de restaurantes. É raro o quarteirão que não tenha pelo menos um. A maioria das pessoas come fora todos os dias. Muita gente nunca usou o fogão que tem em casa. É comer fora ou pedir entrega. Prático, mas caro demais. Deve ter muita gente que gasta boa parte do salário nisso. O resto vai em aluguel.

Entrei na Uniqlo, uma loja japonesa de roupas baratas. Parece que a qualidade é razoável; tem malhas em 15 cores, camisetas idem, meias ibidem. Fiquei tonta de tão grande e labiríntica que era a loja, e tanta roupa, nossa, era muita coisa. Vira prá cá, calças, camisas, camisetas, ali uma parede de meias. Saí correndo prá nunca mais voltar. Como é bom comprar pela internet. Viva o século 21.

Essa semana é a assembléia geral da ONU. Tá o presidente do Irã aqui, falando absurdos. Fica uma bagunça ali perto da sede da ONU, no East River. Mas os hotéis e as lojas de luxo ficam felizes, porque vêem comitivas do mundo todo gastar o dinheiro dos impostos suados dos seus representados.

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25

09 2012

Sábado em NY

Dia lindo! Fui no “farmer’s market” (nada mais que uma feira) na Union Square, que é excelente.

Comecei tomando uma cidra feita pelos próprios fazendeiros que plantam as maças; a diferença do “farmer’s market” e da feira é que no primeiro as pessoas que vendem são as mesmas que plantam.

Lindos girassóis.

Agora começa a época de abóboras, e aqui tem muitas variedades.

Aí fui pro Brooklyn; meu filho Pedro e eu tínhamos um compromisso lá. Almoçamos na pizzaria preferida dele.

É boa, mas não chega aos pés da Braz.

Metrô prá voltar prá Manhattan.

Fui direto pro Whitney Museum, ver essa exposição.

Tinha fila.

E a única coisa que podia fotografar eram essas bolas na entrada do museu. Me irrita esse negócio de não deixar fotografar prá poder vender o livro! Mas a exposição – apesar de pequena – é ótimo. A Kusama é bem mais do que a pintora das bolinhas. Tinha umas aquarelas e umas colagens lindas.

Andei um pouco pela Madison Avenue na volta, e achei chata demais, aquela sucessão de lojas de luxo, todas meio parecidas. Teve uma época que eu gostava, hoje acho aquilo uma bobagem. Gostei desses sapatos, que tão na moda aqui. O nome deles é “velvet slippers”, o que em português daria chinelos de veludo…A marca é  Stubbs & Wootton e custam US$400. Esse par tem como tema as próximas eleições, cada pé com o símbolo de um dos dois partidos principais.

Gostei desse, bom prá pessoas indecisas…

Fui mais tarde no cinema, no Angélika da West Houston Street, ver esse filme. Não gostei.

Voltando à pé pro hotel – são só umas 15 quadras, que em NY é nada – peguei uma baita chuva. Fiquei absoluta e totalmente encharcada. Fazia anos que isso não me acontecia. A chuva já era um pouco gelada, afinal começou o outono. Cheguei no hotel com frio e fui direto pro chuveiro. Nada estragou e eu, não sendo de açúcar ou algo parecido, resisti.

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23

09 2012

Só em NY…

Entre meu hotel e o restaurante tem uma livraria. Tinha um monte de gente na porta, policiais, barreira prá segurar o povo. Fiquei curiosa (imagine, eu curiosa…) e perguntei prá uma moça que tava ali parada quem ia chegar. “Johnny Depp”, ela me disse. Uau. Quase me instalei e fiquei, mas achei que meu filho Pedro me mataria. Olho pro lado e tem uma moça sem a parte de cima da roupa, topless total. Ali, esperando Johnny. Primeiro achei que era uma fã, mas depois o Pedro me lembrou de um movimento que tem no qual as moças se “expressam” tirando a parte de cima da roupa. É um movimento ucraniano, e tem representantes aí no Brasil também. Não sei bem o que elas protestam, parece que contra repressão em geral. Mas o que o Johnny Depp tem a ver com isso? Não sei. Vai ver ela tava protestando o fato que o Johnny Depp não sabe quem ela é? Não tô querendo fazer pouco do movimento das moças topless, mas que é estranho é…Mas se for efetivo, mas poder prás peladas. Também sou contra a repressão – mas protesto vestida. Tô velha e ainda por cima tava um ventinho frio.

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21

09 2012