Um calor daqueles. Um dia lindo, céu azul, mas a sensação era de 42 graus. Fico acabada. Quando chego em casa, como agora, tomo banho e caio na poltrona. Fiquei na rua, prá lá e prá cá do meio-dia e meio até às 7 horas. Ai ai ai.
Fui comprar portas, fechaduras, trincos, e afins. Coisa complicada; a porta abre prá direita ou prá esquerda? Prá dentro ou prá fora? O trico tem que trancar ou não? Chave? Que estilo? Que tamanho tem as portas? Todas iguais (claro que não, prá que ser mais fácil…)? Como eu sempre digo, tudo na vida tem ciência.
Aí fui tirar minha carterinha de estudante da UM (University of Miami). Tudo se faz com a carterinha lá, e com seu número de estudante. Fiquei na fila. Eu e um monte de garotada de 18, 20 anos. Da minha idade, só os pais que acompanhavam os filhos. Perguntei pro carinha da UM que cuidava da fila se aquela fila era também prá estudantes de pós-graduação. Ele perguntou quem era meu estudante, achando que era um filho ou filha…Falei que era eu mesma. Era a fila certa. Eu e a garotada começando graduação. Aí entrei na sala onde se tira a foto e fazem a carterinha. O rapaz atrás do computador perguntou com cara de surpresa: “é você a estudante? “; respondi que sim, e perguntei prá ele se não tinha cara de estudante. Ele ficou até vermelho, coitadinho. Eu falei obrigado depois dele tirar a foto e ele falou “de nada, minha senhora”(you’re welcome, Madam).
Não me importo nem um pouco em ser mais velha. Até eu estranho a minha falta de preocupação com o assunto! Não ligo pras rugas nem pro cabelo grisalho (deixei mesmo de pintar). O que me preocupa é se estou agradando a mim mesma: gosto das coisas que estou vestindo? São do meu estilo e gosto? Gosto das cores? Da sandália com a calça? Do brinco com a camiseta? Adoro a bolsa? Olho no espelho e sou eu mesma? Se sim, tá tudo mais do que ótimo. Tenho 53 anos. Muita coisa aconteceu nesse tempo. Tenho uma vida cheia de experiências, boas e más. O que vale é se estou saudável e forte. O resto não me importa. Não quero ser a mais linda nem a mais jovem. Nem quero parecer um dia a menos do que tenho. Quero poder carregar o que precisa ser carregado, fazer o que precisa ser feito, arrumar o que precisa ser arrumado. Quero dormir, comer, fazer exercício, ler, compreender o que acontece. E principalmente quero continuar fiel àquela que considero ser minha a essência, o que sou. Isso se traduz em como me mostro pro mundo, tanto na aparência (roupas, etc.) como em como trato os outros. O resto é o resto.