Posts Tagged ‘memories’

Miss Xerica

Eu na praia das Pitangueiras, Guarujá. Acho que eu tinha uns 5 anos. Ao lado estão minha irmã, de maiô de bolinhas, e minha prima Annette, doutora em física e professora já aposentada da Unicamp, hoje estudando psicologia.

Eu, 4 anos talvez? No terraço do apartamento onde morávamos, na rua General Jardim, no centro de São Paulo. Todos os anos tinha festa caipira na escola. Atrás estão minha mãe e minha avó, me olhando como se eu fosse uma miss…E o sapato de duas corês da Casa Toddy? Que chique.

Meus primos do lado da minha mãe.

Da esquerda prá direita: Arthur Nestrovski, editor, músico, escritor. Hoje diretor artístico da OSESP. Ao lado dele, Leandro Tessler, físico, professor da Unicamp. (o que eu posso fazer, tenho dois primos doutores em física e professores da Unicamp, um de cada lado da família…) Aí venho eu. Depois o menorzinho, que é o Eduardo Tessler, jornalista, que viaja o mundo trabalhando. A seguir minha irmã, e do lado dela a Laura, farmacêutica, fabricante de cremes e shampoos deliciosos. Adoro meus primos; levamos vidas separadas mas sempre sei o que andam aprontando e trocamos notícias com frequência.

16

08 2010

Bisavó

Essa sou eu no colo da minha bisavó, mãe da mãe da minha mãe. Ela nasceu em 1888, numa cidadezinha chamada Rezina, no que é hoje a Moldova. Rezina fica na beira do rio Dniestr. O nome dela era Golde Averbuck. Foi com a família para o Brasil com 15 anos, em 1903. Pegou o navio em Odessa. Na viagem, estava andando pelo convés quando o navio jogou, ela tropeçou e caiu sentada no colo de um moço chamado Isaac Russovski. Eles se casaram um pouco depois de chegarem ao destino deles, que era a colônia de Filipson, no Rio Grande do Sul. Em poucos anos mudaram para Santa Maria da Boca do Monte, onde nasceu a minha avó. Minha avó era o terceiro filho: a mais velha era minha tia Luísa, que a gente chamava de Tiliza. Depois veio tio Gildo e por fim minha avó. Depois foram prá Cruz Alta e em seguida prá Porto Alegre, onde ela morou até morrer, em 1982. No Brasil o nome dela mudou prá Olga; prá nós era a vó Olga. Quando a gente ia visitar ela servia guaraná em copo de champanhe. Ela falava português com um sotaque forte de ídiche, e inventava palavras que misturavam as duas línguas.

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16

08 2010

Trivial variado com ar condicionado

Hoje foi dia do pijama. É assim (acho que já falei aqui): acordo e fico de pijama. Mas são os dias nos quais mais me movimento. Hoje arrumei a geladeira. E a minha mesa. Fiz 5 (CINCO!!!) máquinas de roupa. Tirei o lixo. Isso pode parecer fácil, mas não é. Produzimos uma imensa quantidade de lixo aqui em casa. Fico coberta e lavada de culpa, mas ainda não sei o que fazer. É caixa de papelão, das compras pela internet. Jornais – recebo dois por dia. Revistas – leio um montão por mês. Lixo de cozinha, porque afinal eu cozinho. Isso não é tão normal aqui não; tem muita gente, com filhos e tudo, que não cozinha ou cozinha pouquíssimo. Compra comida congelada ou coisas quase prontas ou mesmo fast food. Aqui o pessoal da companhia de gás sabe quando a casa é de latinos pelo consumo de gás. Os latinos consomem muito mais gás que os americanos, porque cozinham muito mais. Tem o lixo normal, de banheiro, de consumo de produtos de limpeza. O lixo de papel, além dos jornais e revistas: contas, recibos, coisas que vêm pelo correio. Resumindo, é uma imensidão de lixo. Outro dia ouvi no rádio um casal falando que o objetivo deles era agora em 2010 zero sacos de lixo. Já pensei e repensei e não sei bem como vão conseguir, mas acho que vão, porque em 2009 eles produziram um saco de lixo. Um saquinho só. Queria saber, por exemplo, como eles compram papel higiênico. Aqui, como aí, vêm 4 ou 6 ou até 8 rolos embrulhados em plástico. Aí digamos que usem o papel; sobra o rolinho de dentro. Tudo bem, é papel, eles levam prá onde reciclam. E o plástico? Também tem lugar que aceita? Não sei. Lixo é um problema, prá mim e muito mais pro planeta.

Tem um cheiro. Sabe quando tem um cheiro? Tem um cheiro aqui no apartamento e não consigo achar a raiz do desgraçado. Fico que nem um perdigueiro, cheirando, cheirando, e nada. Amanhã vêm a faxineira e tô com esperança que ela resolva isso. Não só vêm a faxineira, como vem também a irmã dela. Vão ser duas, então, procurando o cheiro. Eu, em vista da presença maciça de faxineiras nicaraguenses energéticas, vou fugir de casa assim que acordar.

Já falei que tem uma sorveteria aqui em baixo do prédio? E que eu resisto bravamente a tentação de descer e tomar um baita sorvete todas as noites? E ainda por cima é uma sorveteria ótima. Tomar sorvete no verão todos os dias, assim de casquinha, é uma coisa que tá tatuado no meu âmago. Na minha infância de verões guarujáinos eu tomava sorvete todos os dias, ali na sorveteria Guarujá. Eu gostava de café, creme ou limão. Tinha também uva, pistache e nata. Até hoje sinto o gosto e o cheiro desses sorvetes.

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06

08 2010

Minha avó vai comigo

Tô levando prá viajar os brincos da minha avó. Já vou usando daqui. Gosto de levar porque assim ela vai comigo, de alguma maneira obscura. Falo pro Adolpho, “vou levar minha avó comigo”. E ela sempre vai, brilhando nas minhas orelhas.

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08

06 2010

Sou “de época”…

Esse eram alguns dos meninos da minha classe no colegial (secundário hoje em dia? nem sei como chama agora…). Observem os cabelos. E as calças. Os filmes que tentam retratar essa época nunca acertam no visual. Aliás, erram feio. Fazem tudo muito arrumadinho. Não era assim. Os cabelos não viam uma tesoura por anos. Não tinha esse negócio de corte; era só ir deixando crescer. E escova, então. A maioria não usava. As calças eram praticamente as mesmas todos os dias. E quero deixar claro que essa era a alta classe média paulista…Camisas, tinha-se umas poucas, com uma ou duas favoritas que eram usadas até gastar. Sapatos um ou dois. Meninas tinham mais coisas, mas mesmo assim meu guarda roupa da época fica super mixo perto do guarda roupa de qualquer meninas de 16 anos de hoje. O lance era ser desleixado, não ligar, estar confortável, ser o oposto dos pais. Hoje em dia as mães e as meninas se vestem igual. O mundo mudou muito, como deve acontecer mesmo. Nunca perdi o objetivo do conforto dessa época, nem da individualidade. Quase ninguém tinha coisas iguais. Podiam parecer iguais, porque todas calças eram de boca larga, por exemplo. Mas cada uma de uma marca diferente, uma comprada no Bom Retiro, outra na Rua Augusta, outra em Salvador, outra o pai trouxe de Nova York. Bolsas todas diferentes. Camisas: uma feita em casa, outra antiga do pai, outra uma simples camiseta Hering. Ninguém ligava. Ninguém sabia; não era assunto. Nem entre as meninas; se falava muito pouco de moda. Não tinha o programa de ir fazer compras. Engraçado. Eu e o consumismo enlouquecido crescemos e amadurecemos juntos! Hoje em dia compro mais em um mês do que comprava durante o ano inteiro.

02

05 2010

Negócio de família

Esse era o negócio da família do meu avô. Quando ele se mudou de Porto Alegre para São Paulo em 1943 ele foi como representante do curtume. Quando eu nasci, 14 anos depois, ele já era independente. Tinha uma firma que vendia peles e lã. O cheiro do escritório do meu avô era inconfundível: lã de carneiro, um toque de naftalina, couro e pó. Eu adorava.

Ele nasceu no norte da Argentina e cresceu entre as fronteiras do Brasil, Argentina e Uruguai. Naquela época não tinha diferença nenhuma entre os países nesse lugar. Ele cresceu em fazendas, no campo, e contava que viajava com os irmãos mais velhos de carroção levando peles e caçando. Dormiam embaixo da carroça. Ele sempre foi meio aventureiro; tenho certeza que não sabemos nem um décimo do que aprontou. Me contava que na década de 30 viajava de avião pelo interior do Rio Grande do Sul e não havia pistas, então paravam em campos de fazendas, às vezes com água pelos joelhos, e na hora de levantar vôo os passageiros tinham que empurrar o avião…Como tudo que meu avô contava, pode ser verdade ou não!

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26

04 2010

Eu, 1972

Alguém colocou essa foto no Facebook, no grupo dos alunos do Colégio Equipe nos anos 70 . Sou eu, imagina, sentada na escadaria que na minha memória era muito maior que isso. Não sei com quem estou. Talvez essa de costas seja minha amiga Edith Siqueira, que virou atriz e morreu faz tempo de câncer. Não me lembro dessa jaqueta de couro, nem sei de que côr era. Eu tinha 14 ou 15 anos nessa foto.

22

04 2010

Book of Clouds

É o primeiro livro de Chloe Aridjis, uma escritora nascida em Nova York e criada na Holanda e na Cidade do México.

A personagem principal desse pequeno livro é uma mexicana morando em Berlin. O livro é tanto sobre a cidade quanto sobre ela. São só dois personagens além dela (alguns outros só de passagem). Um livro de impressões, sentimentos, pensamentos, observações. Eu gostei.

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13

04 2010

Memória (falta de)

Uma das coisas que sempre soube de mim mesma é que tenho má memória. Sou daquelas pessoas que encontra alguém e a pessoa fala “oi, a quanto tempo, como vai Clarissa?” e eu olho com aquela cara de nada só pensando “quem é, meu deus, quem é essa pessoa? De onde conheço? Como é o nome?”. Sei que conheço, porque não esqueço um rosto. Mas de onde, quando, porque, não tenho idéia. Não me pergunte o número do telefone da minha casa que não sei. Nem a chapa do carro. Nem o que eu fazia em 1988. Não sei.

Até que um dia li que a nossa capacidade de lembrar é realmente finita. Prá poder lembrar a senha do banco tem que esquecer o número do primeiro telefone. Prá lembrar como funciona o contrôle remoto tem que esquecer qual era o caminho de casa prá escola. Prá poder lembrar como fazer risoto de aspargo tem que esquecer o nome da primeira professora. Uma coisa ocupa o lugar da outra. Isso me tranquilizou um pouco, porque me informou que eu estava substituindo, não simplesmeste apagando.

Agora tive outro insight. Abriram um grupo no Facebook das pessoas que estudaram no Colégio Equipe nos anos 70. Eu fui da primeira turma, 1972. Me formei em 1974. Entrei no grupo e comecei a ver as fotos, a ler as histórias. E comecei a lembrar, devagarinho; os professores, as pessoas, o lugar…Então concluo que não é que a gente apaga uma coisa prá colocar outra no lugar. A gente coloca essa coisa mais antiga numa gaveta, lá no fundo. Fica guardada. Um dia alguma coisa te faz lembrar – a gaveta abre, e está tudo lá. O professor de fotografia, a sala do professor de redação no sotão do prédio, o time de vôlei, as músicas, e flauta doce, etc. Então minha falha não é não lembrar: é na ação de recuperar a lembrança. Aí que tenho defeito. Mas que tá tudo guardado, ah, isso tá.

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10

04 2010

Tô perdida, mais uma vez…

“A exposição prolongada ao sol é particularmente perigosa durante a infância e a adolescência. Anos de pesquisa mostram claramente uma forte relação entre o número de episódios de queimaduras de sol antes dos 15 anos e o subsequente desenvolvimento de melanoma maligno anos mais tarde”.

(Samuel Epstein, Presidente, Cancer Prevention Coalition)

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03 2010