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Ai, doeu…
Bati o dedinho. Ai. Abri a porta com toda a força em cima do dedinho do pé direito. A porta é maciça, pesa prá burro. Veio com tudo e o dedinho tava no caminho. Erro meu. E aí tem aqueles 3 segundos nos quais a parte atingida tá comunicando pro cérebro que foi atacada e a dor ainda não se estabeleceu. Mas a gente sabe que ela vem, e vem poderosa. São 3 segundos de suspense e de antecipação, quando a gente já sabe o que vai sentir. E a dor chega, com toda a sua magnitude, e mesmo que o dedinho seja pequeno a dor não é nada pequena. Fiquei 2 dias mancando, com o dedo latejando, a unha preta até hoje. Só não quebrou porque – como já contei aqui – tive raquitismo quando criança e tomei doses cavalares de cálcio. Meus ossos são como pedra. Agora toda vez que abro uma porta o dedinho se encolhe, traumatizado. Dedinho com transtorno do estresse pós-traumático.
16
06 2013
Ai ai ai…política.
Tô aqui longe, então só sei o que sai no jornal, não sei nada sobre essas manifestações em São Paulo. Mas achei uma beleza, né, que coisa linda, o governador e o prefeito em Paris, comentando a situação. Dá um peso e tanto comentar problema na sua cidade lá longe comendo croissant fresquinho e bebendo Beaujolais em Paris. E como ajuda a resolver a situação, nossa, é meio como milagre, político em Paris é vapt vupt, a solução acontece na hora. Mas vão é pastar, seus políticos desgramados. Se um filho meu me falasse “mãe, tô pensando em ser político ou traficante”, eu falava “não gosto de nenhum dos dois, mas traficante é mais honesto”. Pelo menos é às claras.
Não importa onde eu more, de onde eu leia notícias, qualquer lugar do mundo, políticos me deprimem. Não gosto de política; entendo a importância, afinal política e políticos regem nossas vidas. Mas não gosto que ficamos sabendo só da ponta do iceberg, que as verdadeiras negociações e conversas e compromissos e safadezas são feitas todas sem a gente saber, sigilosas, embaixo do pano. Os motores das ações e decisões que nos afetam tanto são um mistério. Quer dizer, é tudo em volta de dinheiro e poder, mas os detalhes são escondidos. Não gosto nada disso tudo, e de me sentir feita de idiota. Fazer parte da massa manipulada é uma sensação ruim, suja, fedida. Vemos só uma pequena parte de tudo isso, aquilo que nos é permitido ver. Já sou cética e pessimista por natureza, com política e políticos então, não acredito em nada, desconfio de tudo. Eu voto, mas porque sou parte de uma geração politizada, e se não votasse me sentiria culpada. Mas achar que meu voto faz diferença, aí no Brasil, ou aqui nos EUA, isso não acho. Meu idealismo – o pouco que eu tinha – morreu faz muito tempo. Dou a maior força prá quem é idealista e luta e briga por aquilo que acredita, por um mundo melhor. Mas eu tô fora. Infelizmente. Faço o possível prá ser uma pessoa decente, educada, respeitar o próximo, fazer do meu micro mundo um lugar pacífico e civilizado. Mas do que isso não dá.
12
06 2013
Variado de domingo
É assim, ó: a Charlie quer sair, vai até a porta pro jardim, e raspa a porta com força. Eu levanto, abro a porta, ela sai. Deita no sol. Quando fica com calor, vai até a porta e late. Um “au” só. Eu levanto e abro a porta, ela entra. Isso se repete pelo menos 10 vezes por dia. Não reclamo muito, porque pelo menos ela me faz levantar da poltrona. Ainda vou dever a ela alguns meses extra de vida. Profissão: porteira de cachorra.
Não posso ser vegetariana por algumas razões. O ovo. Ovos mexidos, quentes, pochê, fritos. Queijos. Branco, ricota, camembert, muenster, cheddar. Frango assado. Presunto, prosciutto, salame. E rabada? A vida sem rabada não tem sentido.
O que é uma loja de brinquedos prá uma criança é uma loja de materiais artísticos prá mim. Tem uma aqui que se chama Jerry’s Artarama que é uma belezura. Tem de tudo, de todas as cores, de todos os tamanhos. Só não tem ar-condicionado que funciona. Quase morri lá ontem. Mas entrei e sai em meia-hora; e os coitados dos funcionários que ficam ali o dia todo, na sauna? Que maldade.
09
06 2013
Dois livros
Bem diferentes, esses dois livros.
Mais um da série sobre o Inspetor Ikhmen, de Istambul. A Barbara Nadel é uma mestre do gênero, do tipo de livro de mistério que não tem quase violência, mas onde os personagens são muito bem formados. De livro a livro a gente vai seguindo essas pessoas, que por acaso estão resolvendo um crime.
Esse é um tipo de auto ajuda “highbrow” (impossível traduzir, quer dizer de alto nível cultural, intelectual. Por exemplo, ler Philip Roth é highbrow, ler Paulo Coelho é lowbrow). Interessante, meio chato às vezes, não sei porque comprei e li, já que não sou adepta da auto ajuda.
06
06 2013
Masoquismo
Minha pergunta de sempre: porque, ó céus, porque eu leio notícias? É um vício terrível, masoquismo puro. Olha isso, de hoje, fresquinhas (mistura de fontes americanas e brasileiras): “Sistemas de água potável deteriorando”. “Desemprego é o pior em 30 anos”. “Morre mulher mantida em cárcere privado no RS”. “Taxa de desemprego na Grécia sobe para 26.3%”. “Adolescente francês morre após ataque skinhead brutal”. Tá bom ou quer mais? Tá, só mais uma: “Juiz israeli diz que algumas mulheres gostam de ser estupradas”. Agora deu.










