Posts Tagged ‘love’
Flora
Ah, ter 7 anos.
Perder 3 dentes de leite ao mesmo tempo.
Fazer brownies na cozinha da avó.
E ter conversas como essa:
No carro, eu dirigindo, Flora sentada atrás.
- You know what I want for Christmas?
- What?
- An armadillo.
- ?
- My father said that if I get someone to find one for me I can have it.
- An armadillo?
- Yes.
- Ok.
- You can hunt one for me in Sarasota. They have armadillos there. You can go there and bring back one for me.
- You want me to hunt an armadillo? Flora, I never hunted anything in my life. It’s not going to happen, baby.
- Can you get someone to do it?
- I don’t think so. Choose something else for Christmas, ok?
Tradução:
- Sabe o que eu quero de natal?
- O quê?
- Um tatu.
- ?
- Meu pai falou que se eu encontrar alguém que arrume um prá mim eu posso ter.
- Um tatu?
- É.
- Ok.
- Você pode caçar um em Sarasota (cidade na costa oeste da Flórida). Eles tem tatus lá. Você pode ir e trazer um prá mim.
- Você quer que eu cace um tatu? Flora, eu nunca cacei nada na vida. Não vai rolar, baby.
- Você pode arrumar alguém prá fazer isso?
- Acho que não. Escolhe outra coisa pro natal, ok?
14
09 2012
Trinta!
Ontem fez trinta anos que estou casada. Peraí, deixa eu repetir. Faz trinta anos que estou casada. Com o mesmo homem. Passou rápido mas ao mesmo tempo somos pessoas completamente diferentes. Aquela menina que casou não existe mais. Tanta coisa aconteceu, coisa boa, coisa ruim, coisa maravilhosa, coisa horrível. Passamos por partos, enterros, hotéis 5 estrelas, viagem de onibus na Índia, filhos doentes, filhos rebeldes, crises familiares, falta de grana, pneu furado. Passamos pelo milênio, pelo Collor, por operações, dores de dente, amigos insinceros. Cancêr, nevascas, intoxicação alimentar, arrumações de bibliotecas e várias casas. Vinte e tantos cachorros. Mas nós continuamos casados e o que é mais incrível, ainda temos assunto. Trinta anos conversando e ainda temos sobre o que falar. Vai ter sorte assim lá na esquina. As pessoas vem e vão na vida da gente; algumas ficam, e ficam pertinho. Essas nos amam não importa se estamos mal humorados, doentes, em crise, chatos. E a gente sabe como podemos ser insuportáveis às vezes. Nem nós nos aguentamos. Pois eles nos aguentam e seguram a nossa barra. Trinta anos de segurar a barra um do outro. É excelente se ter alguém ao lado, ouvindo, protegendo, brigando e nos acompanhando. Trinta anos. Nossa.
15
08 2012
Rio, Luz, Cama: Trivial
Não sei se os estádios, pistas e afins estarão prontos prás Olimpíadas no Rio. Não sei se todo mundo não vai ser assaltado. Não sei se vai ter papel higiênico nos banheiros públicos. Não sei se a segurança vai abarcar de ladrão de galinha até terrorista. Não sei se o trânsito vai aguentar. Mas sei que as cerimônias de abertura e de encerramento vão ser uma belezura.
A melhor coisa é um telefone que não toca. A pior coisa é um telefone que não toca.
Gostei mais da cerimônia de encerramento do que da de abertura – das Olimpíadas de Londres, é claro. Muita música, algumas chatas (Annie Lennox, por exemplo), algumas estranhas (“I am the Walrus” com o Russel Brand; o que é estranho não é a música, mas escolha do cantor) e outras ótimas (Queen, Jennie J, etc.). Foi divertida.
Falhei. Meus filhos, todos adultos, não apagam a luz. E olha que não foi por falta de “apaga a luz”, “não sou dona da Light”, “não esquece a luz”- frases repetidas até a exaustão por décadas lá em casa. E o exemplo foi bom, porque eu apago a luz e o marido também. Não sei o que aconteceu. Eles não apagam a luz. Ai ai ai.
Tenho ido tanto na academia que até quem não me conhece já me cumprimenta.
Quando apago a luz e deito na minha cama, com as cobertas até o nariz, escuro absoluto, silêncio total, falo prá ela “hello, darling”. Todas as noites digo isso prá minha cama. Quando acordo, o quarto claro, penso “vou ficar aqui o dia todo, escondida”. Depois de 30 segundos sei que isso não ia funcionar e levanto. É assim.
14
08 2012
Ah…Paris!
Paris In Motion (Part I) from Mayeul Akpovi on Vimeo.






