Aulas. Textos prá ler. A minha experiência anterior de universidade, na USP, década de 70, foi muito fraca. Eu era muito imatura, não sabia o que queria de jeito nenhum, fui fazer o curso errado. Tava mais perdida do que nunca. Não foi uma experiência boa sob nenhum aspecto. A não ser que foi lá que conheci minha amiga Lucita, muito querida…
Além do que a universidade tinha mais greve do que aula. Era greve em solidariedade com os companheiros daqui, dalí e de todos os lugares possíveis. Todo dia entrava alguém na classe e fazia discurso sobre ditaduras, ou sobre o governo, ou nem me lembro mais sobre o quê. Era um exagêro de politização, quase que uma caricatura do envolvimento engajado. Mas fazer o quê, era assim naquela época.
Foi uma época também confusa na minha vida pessoal, final da adolescência, vida familiar, muitas coisas difíceis de entender, assimilar, ultrapassar. Me formei, fui fazer especialização em museologia – outro caso complicado, era uma escada prá uma mulher com muitas ambições, que era a criadora e diretora do curso. Acabou, casei meses depois. O resto é crianças, viagens, mudanças, pintura, livraria, EUA, tradução…Muita coisa, muitos anos.
Agora então posso realmente estudar e gostar. Mas sendo a pessimista que sou, já fico pensando o que vai acontecer prá me atrapalhar…Enquanto não acontece tô aqui lendo, relendo, anotando, pensando. Nos intervalos lidando com a obra. E a vida que não pára: filhos, netas, casa, supermercado, problemas, etc.