Posts Tagged ‘Life’
Porquê?
Tem muita coisa misteriosa no mundo. Uma das que mais me intrigam é porque algumas coisas que podem acontecer a qualquer hora acontecem na pior hora. Aqui nos EUA é obrigatório ter alarme de fumaça em casa; a companhia de seguro exige e os fiscais que inspecionam depois de uma reforma ou construção também. Eu tenho 3 aqui em casa: dois no corredor e um no meu quarto. Eles são ligados na eletricidade e também tem uma bateria. Agora, me explica porque essa bateria sempre, mas sempre, acaba de madrugada. Já tive alarme em várias casas e apartamentos. É sempre a mesma coisa. Duas da manhã, três da manhã, nunca às duas da tarde, às três da tarde. É um apito, um alarme tão forte, que quase mata a gente do coração. Pula da cama, acende a luz, acha uma escada, sobe na escada, desatarracha o alarma do teto, desencacha os fios, desce da escada, tira a bateria. E aí volta prá cama, com o coração acelerado, xingando o alarme, o inventor do alarme, o fabricante do alarme, a mãe do fabricante, a avó do inventor, e assim por diante. É ou não é uma coisa misteriosa?
17
05 2013
Mídias sociais: que lindo é tudo!
Essa coisa de mídias sociais, né. Não vou escrever nada de original sobre o assunto, tenho certeza. Eu pessoalmente gosto muito das mídias sociais; gosto de twitter, instagram e facebook. Mais que 3 não tenho capacidade nem vontade de usar. É mais que suficiente. Gosto dessa coisa de saber o que tá acontecendo na vida das pessoas que conheço, gosto de saber o que tá interessando a elas, o que elas estão assistindo, lendo, pensando. Ainda mais eu que moro longe de todos. Vejo as crianças crescendo, amigos comemorando, viajando. No instagram e twitter também sigo pessoas que admiro, autores e pensadores, atores, jornalistas. Enfim, acho genial toda a idéia e muitas vezes a execução. Mas – e sempre tem um mas – principalmente no facebook existe um descompasso bem grande entre a vida real e a vida mostrada. Não pode ser que todo mundo ali seja tão feliz. Que as viagens sejam sempre maravilhosas. Que os filhos sejam todos perfeitos. Que os dias sejam tão lindos, cheios de flores, pôres de sol tão magníficos, amanheceres tão esplendorosos. Cadê as viagens que foram um fracasso? A vontade de voltar prá casa no segundo dia? Cadê os filhos com namoradas ou namorados que dão arrepio? Com amigos que você não queria nem que eles soubessem que existem? Cadê o dia depois da noite com intoxicação alimentar? Cadê as brigas por dinheiro? Cadê as/os amantes? As mentiras? As puxadas de tapête? As facadas nas costas? As fases ruins? Os momentos difíceis? A impressão que tenho é que a pessoa pode estar num buraco daqueles mas na hora de postar no facebook ela põe uma máscara e mente deslavadamente. Conheço gente daquele tipo que vive com a pedra na mão, bem paranóica; esses não aguentam o facebook, entram e saem. Não serve prá eles essa vida inventada, onde não existe o desgosto, o ataque, o dia cinza. Eu olho e leio o meu facebook, ponho tudo numa peneira e vejo o que passa. É que nem televisão, tem que consumir com olhar crítico. De vez em quando me distraio e me pego pensando que vida besta eu tenho, como a desse ou daquele é mais interessante. Mas logo caio em mim e sei que aquilo tudo é, como se falava antigamente, prá inglês ver.
14
05 2013
Flora, a descobridora
Flora, oito anos, é chata prá comer como a mãe dela era (e ainda é, um pouco). Mas agora eu sou avó, então comendo alguma coisa, qualquer coisa, já tá bom. Picolé? Ótimo. Rabanada? Saindo agora mesmo. Macarrão? Pela milionésima vez? Sem problema. Mas domingo ela descobriu uma invenção nova, uma novidade que está estourando por aí. E ficou fã. Sabe o que foi? Pão com salame. Pega-se um pedaço de baguette, corta-se no meio, coloca-se umas três fatias de salame e shazam! A mágica está feita. Êta mundo grande sem porteira.
07
05 2013
Não entendo!
Não entendo bem algumas coisas. Melhor, não entendo bem muitas coisas. Exercício é uma delas. Me sinto melhor quando faço, sei que prolonga a vida e que além disso dá mais qualidade à esse prolongamento. Mas não é natural, pelo menos prá mim. É um esforço juntar a energia necessária prá sair de casa e ir na academia. Vai contra minha essência, meu mais profundo eu! Eu brigo com esse eu, falo prá ele que faz bem, etc. e tal, mas ele não se convence. E quando vejo essas pessoas correndo aqui, um calor danado, eu com uma moleza gigantesca e eles correndo, correndo! Impressionante como, apesar de sermos iguais em muitas coisas, somos tão diferentes em outras.
Outra coisa que não entendo é essa mania hoje em dia das pessoas serem ocupadíssimas, todos os minutos do dia agendados. É uma competição de quem tem menos tempo, de quem faz mais coisas. Que absurdo. Se você não tem seu dia todo dividido e briga com o relógio você não conta. Te olham como se você fosse uma louca. Mas prá mim louco é quem não pára, quem dorme 5, no máximo 6 horas por noite, quem diz com orgulho que gostaria que o dia tivesse mais horas. Essa insanidade, pelo que eu saiba, é inédita na história da humanidade. Sempre se teve tempo prá pensar, olhar o mundo, conversar. Do mais pobre ao mais rico, do analfabeto ao erudito, o olhar em volta e refletir sempre existiu. A luz elétrica é uma das culpadas, nem a noite nos dá folga. A necessidade de consumir inúmeras coisas é outra; prá pagar tudo isso se tem que trabalhar muito mais. Tem que ter seguro, do carro e da casa. E pagar impostos, pessoais e territoriais. E filho tem que ir na escola, 20 anos pelo menos de escola e afins. Tem que usar roupa na moda, em excelente estado, e ter muita. A casa tem que ter tudo prá todos, ser um refúgio, um mini-mundo pessoal. E a vida social? Cinema, teatro, restaurante, shows. Presentes. Férias. O custo de tudo isso é gigantesco. Só se trabalhando todas as horas do dia. E se tem que ser mãe e pai perfeito, e filho exemplar. Vivemos numa época em que nada é perdoado ou não comentado, uma época de julgamento também em todas as horas do dia. Imagino um aquário, com um peixe nadando muito, mas muito depressa, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Assim somos nós hoje em dia. Não pode ser bom.





