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Trivial variado pré 2013
Passei o dia arrumando, colocando ordem. Não gosto muito de ano novo, acho estranho. Um minuto tá todo mundo gritando, ôba, viva, adeus ano velho, aí passa aquele segundo que separa um dia do outro, você beija e abraça quem tá por aí, quem você gosta, quem não conhece, quem nunca mais vai ver. E daí? Cinco minutos depois já tá aquele clima de fim de festa. Passou. Esse ano vou ficar em casa, só marido e filho, cachorras e a tv. Passarei a meia-noite de pijamas. Flanela xadrez.
Tenho planos prá 2013. Primeiro: acabar o mestrado. Os outros não conto. Sou discreta.
Conclusões variadas de 31 de dezembro. Primeira: não adianta. Sem fazer um mínimo esforço, quem não te entendia aos 5 anos, aos 10 anos, aos 15 anos, não vai te entender aos 55 anos. Segunda, quem não te deu apoio quando você precisava não adianta dar quando não precisa mais. A gente cansa de esperar e vira prá outro lado. Acha (ou não) apoio em outros lugares. Ou aprende a viver sem. Terceira, cada um dá o que tem. Quem a vida toda só olhou para si e deu trabalho para todos não tem nada que eu precise. Já superei. O centro do meu mundo agora sou eu. Quarta e última: quem não investe no auto-conhecimento, quem não pensou, mediu, cresceu e principalmente quem não aceita responsabilidade pelo que fez/faz vive infeliz. Quem coloca a responsabilidade de tudo o que aconteceu/acontece na sua vida nos outros vive numa realidade fabricada, onde ele é o único habitante.
Feliz ano novo. Espero que esse seja interessante.
31
12 2012
Shakespeare
Passei o fim de semana pensando no Shakespeare. Nunca tive dúvida de que o homem que era de Stratford escreveu as peças e os sonetos. Mas aí assisti a um documentário que me deixou com a pulga atrás da orelha. É o “Last Will. and Testament” e foi o primeiro a me deixar com uma pontada de dúvida. A grande maioria dos acadêmicos e estudiosos acham que tudo isso é bobagem; que o fato de não haver prova concreta de que o ator William Shakespeare escreveu as peças e os sonetos não significa que ele não os tenha escrito. Mas alguns acham estranho que todos os outros escritores da época – Ben Johnson, Christopher Marlowe e outros – deixaram manuscritos, textos e há vasta documentação da vida deles como escritores. De Shakespeare não há nada. Existe prova da vida dele como ator, como cidadão de Stratford, como pai. As únicas coisas escritas pela mão dele são algumas assinaturas, e essas são visivelmente escritas com uma mão incerta, trêmula, insegura. As assinaturas dos teatrólogos contemporâneos dele são lindas, desenhadas, assinaturas de alguém que escreve com prática. Outro detalhe: as filhas dele eram analfabetas. Como um homem tão culto deixaria que isso acontecesse? Mais um: ele volta para Stratford após escrever King Lear e se aposenta. Como alguém que escreveu tanto, com tanto sucesso se aposenta relativamente moço e após atingir o àpice do seu talento? Esquisito. Na verdade não importa muito quem escreveu, se foi o William Shakespeare de Stratford ou se alguém usou o seu nome. O que é importante é a obra que ficou, belíssima, humana, profunda. Mas que eu gostaria de ver esse mistério desvendado, ah isso sim.
26
11 2012
Auto-ajuda, Olimpíadas e eu
Medo, culpa, arrependimento. A santa trindade que vive em meu altar.
Os gurus e os livros de auto-ajuda me confundem. Um diz prá pessoa fazer um plano e não contar prá ninguém, prá não haver pressão. Outro diz, faça o plano e conte prás pessoas mais próximas, te darão apoio. Mas o seguinte fala, conte apenas prá pessoas com planos parecidos, use a força da comunidade com objetivos similares. Mas outro ainda diz, conte prá todo mundo, dissemine pela internet, grite da esquina os seus planos. Alguém que conte com gurus de auto-ajuda fica na verdade paralisado, sem saber se vai prá esquerda ou prá direita. Vai ver que isso é que nem médico: se você confia no seu, siga apenas a ele. Ou seja, escolha seu guru e vai em frente. Mas eu, ah eu! Eu confio no meu médico, mas pesquiso por mim mesma tudo o que acontece comigo. E auto-ajuda deve ser como religião, as pessoas acreditam sem duvidar. Ou vai ver que fazem uma mistura, pegam uma coisinha aqui, outra ali, e acabam fazendo uma sob medida. Não sei. Só sei o que leio na mídia; auto-ajuda não é prá mim. Receita, eu acho, só na cozinha. Minha auto-ajuda é a literatura.
Vejo um pouco das Olimpíadas todos os dias. Tem umas modalidades que são muito estranhas. O ciclismo no estádio fechado, com a pista de madeira, é muito louco. E badminton? Prá mim é jogo de criança na praia. E o povo torçe endoidecido! Fico muito nervosa em corrida com obstáculos; sempre acho que vão derrubar, tropeçar, dar de cara no chão. E desde que o Greg Louganis bateu a cabeça no trampolim eu acho que todos vão fazer a mesma coisa. Ai que stress a Olimpíada.
07
08 2012
Ricky Gervais
Meu companheiro em ateísmo Ricky Gervais disse:
A definição de Deus no dicionário é “um criador sobrenatural e supervisor do universo”. Incluídas nessa definição estão todas as divindades, deusas e seres sobrenaturais. Desde o início da história registrada, que é definido pela invenção da escrita pelos Sumérios por volta de 6.000 anos atrás, os historiadores catalogaram 3.700 seres sobrenaturais, dos quais 2.870 são considerados divindades. Então na próxima vez que alguém me dizer que acredita em Deus, eu vou dizer “mas qual deles? Zeus? Hades? Júpiter? Marte? Odin? Thor? Krishna? Vishnu? Ra?…” Se eles disserem “Somente Deus. Eu acredito no Deus único”, eu vou mostrar que eles são quase tão ateus quanto eu. Eu não acredito em 2.870 deuses, eles não acreditam em 2.869”.





