Posts Tagged ‘humanity’

Coisas sobre mim

Lavo a mão prá tomar banho.

Não gosto de amarelo.

Não tenho muita curiosidade sobre a vida alheia, a não ser se a pessoa é meu vizinho. Aí sou daquele tipo que sobe no muro prá olhar…

Não gosto de bala, refrigerante e biscoito.

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29

08 2010

Brasil brasileiro

Eu tava aqui pensando como melhorou a situação econômica no Brasil…como o status global do país mudou e realmente teve uma melhora grande na qualidade de vida. Mas a violência não mudou. Não teve uma melhora comparável com a da qualidade de vida, se é que teve alguma mudança. Então será que tô muito errada em concluir que a violência virou quase que cultural no Brasil? Não é mais tão relativa à não ter o que comer, mas sim já é vista como uma “carreira”, um modo de vida. A meninada não pensa em ser mecânico ou motorista de táxi – já parte prá roubar e assaltar. Sem falar no tráfico de drogas. Acho que isso só melhora se acontecer uma mudança profunda no sistema educacional; essa seria a única esperança de ver as gerações mais novas pensarem em outras opções de sobrevivência. Só melhora na economia não deu em nada. Os assaltos continuam, e outras formas de violência também. Criou-se uma população de um lado bandida e do outro apavorada. Só entende o que é isso quem já morou em um lugar assim.

28

08 2010

Mundo mundo vasto mundo

Eu sou viciada em notícias. É um vício antigo e não acho que vou tentar me livrar dele. Mas tem dias em que penso porque faço isso comigo mesmo.

Hoje é um desses dias.

Essa coisa das gangues de traficantes no México é mais que tenebrosa. E enquanto os USA continuarem a consumir drogas isso vai continuar. E sabe quando que o consumo vai parar? Nunca. O consumo de drogas só aumenta, aqui, no Brasil, na Europa, etc. Agora dois chefes de gangue em Cuernavaca brigaram e um deles matou quatro da outra gangue. Aí penduraram eles pelos pés, decapitados, em uma ponte no meio da cidade. Mais medieval impossível. Que horror.

Indo pro outro lado do mundo: tem um congestionamento de 60 milhas em uma estrada que dá em Beijing que já dura 9 dias. Se isso não é uma versão do inferno eu não sei o que é.

Pulando prá África. Rebeldes no Congo Oriental estruparam em grupo 200 mulheres em 4 dias. Isso significa que cada mulher foi estrupada várias vezes. E parece que o número de vítimas (essa é uma palavra que não abarca todo o sentido do acontecido) pode ser bem maior.

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23

08 2010

Hitch

Hitch é como os amigos chamam o Christopher Hitchens, jornalista e escritor inglês radicado nos Estados Unidos. Ele escreveu esse livro de memórias, e eu, é claro, como fã daquelas de carterinha, comprei e li.

Não é um livro fácil de ler. Demorei umas 3 semanas. Tá certo que estive ocupada mais do que o normal, com obra e a vida em geral. Então li menos do que leio normalmente. Mas é um livro que exige do leitor. E a principal razão é que ele, sem gozação, sabe muitas palavras e usa todas…A grande paixão da vida dele é a lingua inglesa. Ele tem um vocabulário muito maior do que a pessoa média. E ele não submestima o leitor: escreve da maneira que o raciocínio se forma na privilegiada mente que ele tem. Demora um tanto prá a gente “entrar” na narrativa. Outra coisa: tem uma imensa quantidade de assuntos e questões e problemas no livro. Faz a gente pensar – e repensar – sobre as nossas próprias posições e idéias sobre muitos dos assuntos de hoje.

Ele é jornalista desde o começo da década de 70; sempre escreveu sobre política, guerras, conflitos. Dos anos 70 até agora o mundo teve uma considerável quantidade de problemas desse tipo, e muitos ele cobriu. Sem contar que ele estuda várias regiões problemáticas desde essa época também. Por exemplo, ele segue a história do Iraque faz mais de 30 anos. Viu a subida do Sadam, seguiu de perto seus mandos e desmandos. Entende como poucos aquela parte do mundo. Também a questão Israel/Palestina. E a queda do comunismo. A guerra na antiga Iugoslávia.

Ele também fala muito de literatura. Da família dele, dos amigos, das viagens. Do suicídio da mãe e da troca da Inglaterra pelos Estados Unidos.

E enquanto eu estava lendo o livro, ele descobriu que estava com câncer. Eu estava no começo do livro, e abro a internet e lá está a notícia: Christopher Hitchens com câncer de esôfago, com metástases no pulmão e em outros lugares. Agora essa semana vi duas entrevistas com ele, já quase sem cabelo, falando que tá morrendo. E as entrevistas eram principalmente prá ele avisar que se publicarem que ele, no leito de morte, abdicou do ateísmo, é prá não acreditar. É mentira.

13

08 2010

Burqa

“Em uma entrevista com a Radio Times, Richard Dawkins, escritor e biólogo evolucionista, disse que sente uma “repulsa visceral” quando vê uma mulher muçulmana usando a burqa, o tradicional véu que cobre o rosto.

Mas Dawkins, conhecido como um proeminente defensor do ateísmo, não advoga uma proibição da burqa. “Sendo um liberal, eu hesitaria em propor uma proibição em qualquer maneira de vestir por causa das implicações disso na liberdade individual e na liberdade de escolha”, ele disse ao Daily Mail.”

(The Huffington Post)

Eu concordo com ele. Quando vejo uma mulher coberta – e em Londres e Paris se vê muitas, principalmente em Londres – me dá uma revolta daquelas. Tenho vontade de chegar prá ela e perguntar se ela usa aquele horror por escolha própria, se tem consciência do absurdo que é aquilo. Por que eu acho que mesmo que ela ache que é escolha dela, não é. É uma imposição cultural, extremamente humilhante prá mulher. Como a explicação do uso é a de proteger a mulher dos olhares e do desejo masculino, isso implica que a mulher não tem auto-controle, vontade própria, e nem capacidade de dizer não e de escolher seus atos. Meu filho Pedro, quando vê uma, sempre fala com uma voz cheia de ironia: “ai me segura, não consigo resistir a tanta beleza…”. É um absurdo anacrônico e uma afronta às conquistas da civilização. Querem usar nos países muçulmanos, onde a “sharia” é lei, onde se corta fora a mão de quem rouba e se apedreja adúlteras (e os adúlteros, né, o que fazem com eles?) por mim tudo bem. Mas vir para o ocidente, e desfilar esse absurdo é uma afronta. Esses muçulmanos religiosos estão dizendo prá toda mulher que não usa a burqa que ela é uma devassa. E eles usam a liberdade que tanto desprezam prá poder fazer isso; o objetivo deles é usar a liberdade prá acabar com ela. Pois o que querem é a islamização do mundo todo. Sharia prá todos. Boa idéia, né? Vamos retroceder mais de mil anos e jogar fora todo o progresso e as liberdades conquistadas. Me dá uma raiva só de pensar…Tudo em que eu acredito é o que eles negam.

11

08 2010

Velha, velhinha…

Hoje é meu aniversário. Não gosto de aniversários. Me lembro muito bem de quando fiz dez anos, fiquei triste porque tava passando de um número prá dois…Imagina agora, quando me dirijo em toda a velocidade prá bem longe disso. 53 anos completos e vividos, às vezes bem, muitas vezes não tão bem. Alguns momentos de clareza prá muitos de confusão. Alguns relances na parte limpa e boa da humanidade, muitos na parte que é esgôto. O que é bom passa depressa, o que é ruim parece que se arrasta. No geral não posso reclamar, ou melhor, não devo. Sou pessimista, atéia, mimada e preguiçosa. Leal, mandona, boa nas crises. Falo demais, como demais, sento demais. Nada disso muda daqui prá frente; tá estabelecido. Vamos ver o que esse ano traz. Minha curiosidade é temperada com uma boa dose de temor.

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25

07 2010

Uma história linda

Ontem assisti um documentário da HBO chamado “A Small Act”. É uma história aparentemente simples, mas na verdade é uma série de acontecimentos complexos. No começo dos anos 80 uma mulher na Suécia, uma professora primária, decide participar de uma iniciativa de caridade sueca que arrumava patrocinadores para crianças quenianas que precisavam ajuda no pagamento da escola secundária. O sistema de educação no Quênia faz com que a educação secundária seja paga e poucas famílias conseguem arcar com esse custo, principalmente no interior do país. Essa mulher, chamada Hilde Back, começa a mandar US$15 por mês prá pagar a escola de um menino chamado Chris Mburu. Ele mora em uma casa de barro com sua família. Ele se forma na escola secundária com excelentes notas e segue para a Universidade de Nairobi, que é gratuita, prá cursar direito. Resolve, depois de se formar, fazer mestrado. Consegue uma bolsa da Fulbright e um lugar em Harvard. Depois do mestrado começa a trabalhar para a ONU. Hoje ele mora em Geneva e é coordenador da unidade de anti-discriminação da ONU. Viaja o mundo lidando com genocídio, conflitos e crises.

Em 2003 ele decide fazer uma fundação prá ajudar crianças quenianas a irem prá escola secundária, assim como ele foi ajudado. Ele e um pequeno grupo que ele convida para formar o conselho da fundação doam as primeiras bolsas. Na hora de pensar um nome prá fundação ele lembra da sueca que o ajudou. Ele só sabia o nome dela e que ela era professora. Coloca o nome dela na fundação: Hilde Back Education Fund. Ele consegue achar Hilde. Manda uma carta, contando a história e convidando ela a ir ao Quênia prá inauguração da fundação. Ela se assusta; já tinha até esquecido que há mais de vinte anos havia doado esse dinheiro. Mas vai. E ela cria um relacionamento lindo com esse menino que tem a ela como uma heroína.

Hilda e Chris

O incrível é que Hilde é alemã. Em 1940 sua família tentou ir para a Suécia como refugiados, mas só ela foi aceita. O resto da família morreu no Holocausto. Ela chega na Suécia com 20 anos, sem saber falar uma palavra de sueco. Aprende a língua e vira professora. Nunca se casou ou teve filhos. Mas não perdeu a empatia pelo próximo. Mesmo sendo uma pessoa considerada classe média baixa na Suécia, doa essa educação para Chris. E muito mais; colabora com várias caridades.

O documentário conta essa história e segue também o processo de seleção das bolsas da fundação do Chris. Segue 3 crianças, um menino e duas meninas, da mesma escola onde ele estudou. Eles moram em casas de barro ou madeira. Não tem luz elétrica; estudam com a luz de lamparinas de óleo. Tem que ajudar a família, colher café, trabalhar em horta, etc. O sonho da educação secundária é uma coisa gigantesca: eles sabem que essa educação tem a possibilidade de mudar a vida deles e das suas famílias. Estudam como podem, na escola precária, com professoras mal capacitadas e um currículo medíocre. Eles tem que fazer um exame que todas as crianças quenianas que vão para o secundário tem que prestar. A fundação usa a nota desse exame para selecionar seus bolsistas. Os três não vão muito bem no exame. Mas o conselho da fundação do Chris decide baixar os padrões de recebimento das bolsas, porque apenas duas crianças conseguem a nota corte estabelecida por eles. O nível da educação é baixo; ou eles abaixam a nota corte ou não dão as bolsas. O menino seguido pelo documentário ganha uma das 10 bolsas oferecidas esse ano ( as bolsas cobrem os 4 anos do estudo secundário). A produção do documentário, depois de seguir a vida difícil das duas meninas, não consegue se afastar do problema e resolve arcar com a educação das duas.

Depois do documentário ficar pronto e ser mostrado em festivais (inclusive Sundance) e fóruns em vários lugares a fundação começa a receber doações de fora. Até aí Chris e oo membros do conselho arcavam com tudo. E agora, que passou na HBO aqui nos States, vão receber muito mais. Merecidíssimo. É uma história linda. Não é?

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14

07 2010

Prá quem se pergunta como foi que pôde acontecer a barbárie do nazismo, essa é uma das explicações dadas no Topographie des Terrors, em Berlin. É uma de várias, porque uma coisa como o nazismo não se explica facilmente.

“Como o Nacional Socialismo, que em retrospecto era um projeto obviamente enganador, megalomaníaco e criminoso, conseguiu obter tal grau de aceitação na Alemanha? Hitler, os oficiais do partido nazista, a maioria dos ministros, dos secretários de estado e dos conselheiros agiram como populistas clássicos, ligados aos estados de ânimo em movimento da população. Eles compraram a aprovação pública ou pelo menos a indiferença a cada dia. Dando e tirando, eles construíram uma ditadura do consentimento com atração consistente à maioria.”

Götz Ali, historiador, 2005

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06

07 2010

Copa

Essa semana já é a Copa. Cacilda. Essas coisas que a gente lê e pensa, “imagina, copa na África, mas só em 2010…”. E de repente chegou! Eu vou ver a copa quase inteira na Europa, que é louca por futebol, ainda bem. Quer dizer, não sei se vou ver, afinal vou passear, mas vou pelo menos me inteirar do que tá acontecendo. Afinal, suecos, alemães e inglêses são super futebolísticos. Aqui nos EUA ninguém fala no assunto, não tem aquele crescimento de expectativa que tem no Brasil – e em um monte de outros países. Mas vou voltar a tempo de ver a final aqui em casa, na minha poltrona.

A primeira copa que me lembro bem foi a de 1970. Foi genial, os jogos do Brasil perfeitos. Esse é o meu padrão, e é difícil de equiparar.

Não sei como vai ser na África do Sul. Fui prá lá uns 3 ou 4 anos atrás e a impressão que tenho é de um país com um equilíbrio bem frágil. Imensas favelas, corrupção (se bem que menos que no resto do continente), violência urbana – sei lá como vai ser com 350 mil turistas. Mas também muito bonito, as pessoas simpáticas e super diverso. Espero que quem vá até lá ver futebol veja também o país. Muito legal ver o Cabo da Boa Esperança. E os bichos vivendo soltos nos parques, elefantes, leões, rinocerontes, girafas; são tão mais lindos que os de zoológico, musculosos, fortes. E um lugar que é, afinal, um dos berços da humanidade. Acho que vai dar tudo certo, mas vai ser interessante assistir, tanto os jogos quanto a performance da África do Sul.

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07

06 2010

Verdades duras

De repente a vida parece bem boa…

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07

06 2010