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Arte cavalar
Da série a “Miami que os turistas não vem”. Mas invés de colocar alguma coisa bonita, vou mostrar uma coisa típica e tão feia que chega a ser interessante.
Passo por essa casa pelo menos uma vez por semana. Fica na esquina de uma rua bem movimentada, na fronteira sul de Little Havana. É uma casa pequena, em um terreno pequeno, mas os donos aproveitam cada centímetro do jardim. E ali no canto estão eles, os dois cavalos. Eles são impressionantes na sua feiura; não dá prá ver na foto mas os olhos são pintados e não acredito que nenhum cavalo tenha olhos assim. Brancos, arregalados, terríveis! Os cavalos são pintados em bronze escuro. Tem um monte de outras “decorações” no jardim, mas os cavalos eclipsam o resto. Apesar de já ter visto esses cavalos dezenas de vezes eles continuam me assustando. E viva Miami.
16
11 2011
Sai!
O que eu mais odeio: topada, sutiã, perder carro em estacionamento, suar, sensação de tempo perdido, romã, mentira e fofoca. Planta com espinho, gente que guia mal e pai/mãe que desconta infelicidade, nervosismo e frustração em filho. Panela vagabunda e caneta que mancha o dedo. Comida macrobiótica, mosquito e gente que acha que intelectual é xingamento. Que estudar e gostar de ler é prá bobo. Odeio quem se mete na vida alheia, insônia e na maioria das vezes amarelo. Ficar sem luz, cortar o dedo em papel e arte que precisa de explicação. Música country, casa suja e água fria. Úisque e gente que dá mão mole. Melhor parar por aqui. Essa lista vai longe.
13
11 2011
Burocracia
Eu sei que tem gente que gosta de atividades tipo burocráticas. Tem contador, por exemplo. Pode ter até algum contador – ou contadora – lendo aqui o blog. Se tem, bem-vindo (ou bem-vinda). Coisa que mexe com números, formulários, regras, repartições públicas: não é prá mim. Tenho uma preguiça imensa de tudo isso. Faço um esforço monumental e ultrapasso esse meu lado, e pago tudo na hora certa, tenho os documentos em ordem, e um arquivo com duas gavetas cheias de pastas com papéis arrumados. Vou xingando até o banco, vou reclamando até o correio, arquivo as contas pagas bufando. Mas faço, fazer o quê? Todo mundo tem que fazer, ninguém escapa. Hoje fui no banco fazer um cheque bancário prá pagar o “real estate tax”, que é o IPTU aqui. Eles não aceitam cheque normal, tem que ser bancário. Fiz o cheque; um calor daqueles, 32 graus. Entra no carro, sai do carro, entra no carro. Como já tenho certa experiência, prá não dizer que sou prá lá da meia idade, anotei o número do cheque bancário prá ter se rolar algum problema. Fui pro correio, e seguindo a mesma experiência citada acima, e mandei o cheque como carta registrada, com recibo e tudo. Tarefa cumprida. Não dá nem prá sentir satisfação, porque sei que isso não acaba nunca, é pagamento, formulário, imposto, seguro, etc. etc. e etc.
20
05 2011
Filme, que triste…
Sexta à noite resolvi assistir a um filme. Escolhi um com o Matt Damon, que não faz porcaria. Me acomodei no sofá, cachorras dormindo ao lado e comecei a ver o filme. Foi indo e eu não achando grande coisa. Sabe aqueles filmes nos quais você fica esperando alguma coisa acontecer e nada? Agora vai, agora vai, e…nada. Foi assim até o fim. Pensei como o Matt Damon tinha caído nessa fria quando aparece o letreiro que o filme foi escrito e dirigido pelo Clint Eastwood! Como assim? Esse é outro que não dá bola fora e de repente faz essa coisa sem graça? Que coisa. O filme chama “Hereafter” e a única coisa que presta é a atriz francesa que trabalha nele, Cecile de France. Linda e com um corte de cabelo maravilhoso. Mas assistir um filme inteiro e só gostar do cabelo da atriz é duro.
21
03 2011
Eat Pray Love
Eu li o livro quando foi lançado, faz alguns anos.
Não achei grande coisa. Fez um sucesso danado, vendeu milhões de cópias no mundo todo. Mas achei raso, falso, auto-ajuda disfarçada (ou nem tão disfarçada assim). Talvez no filme melhoraram a estória, pensei. Porque um livro pode ser transformado em filme de inúmeras maneiras. Mas não; o filme é tão ruim ou até pior que o livro. E a culpa, a meu ver, é do diretor.
O que me incomodou em ambos: essa coisa de auto-ajuda, disfarçada ou não, é uma bobagem. A única auto-ajuda que funciona - e nem sempre – é a psicoterapêutica. O resto engana. No caso do Eat Pray Love a autora cria expectativas inalcançáveis: você viaja, o que já supõe que você tem meios prá isso. Chega nos lugares e conhece as pessoas perfeitas; nada de conhecer gente malandra, ser enganado, ou descobrir que seu novo amigo/a é na verdade viciado em alguma coisa ou trabalhou como escort quando mais moço…não, todo mundo é bom e lindo! Aí você é ajudado a ter os insights mais profundos, ou por essas pessoas maravilhosas ou por sinais (ai ai ai). E no final você encontra não só a felicidade como o amor, na figura de Javier Bardem no filme. Vai colocar expectativas impossíveis assim no quintos dos infernos!
Outra coisa: a personagem principal, que é a escritora Elizabeth Gilbert, porque isso é uma auto-biografia, prá mim é a perfeita mimada do primeiro mundo – principalmente dos EUA. Vive uma vida tão privilegiada que não tem idéia do que é ter problemas de verdade; tem um divórcio fácilimo, no qual ela chutou o marido e sofre como se tivesse descoberto que o marido teve 10 amantes ou passou HIV prá ela ou que ele era um espião russo…Ela tava simplesmente entediada, “procurando ela mesma”. Vai ser bôba assim no outro canto. Dá prá notar que isso me irrita? O divórcio não era razão prá tanto barulho. Eu acho que o que aconteceu foi completamente diferente, o que faz com que as memórias dela sejam mais do que fabricadas. E sendo assim não são memórias, é pura fição. O que ela diz é que depois do divórcio resolveu ir prá Roma, Índia e Bali prá achar ela mesma, o seu caminho, blá blá blá…E aí voltou, escreveu o que aconteceu e virou um sucesso, o que foi uma absoluta surpresa, ai meu deus, como o universo é justo, sofri tanto então estou sendo recompensada, e além de tudo ajudando a milhões de mulheres a escaparem das suas vidas sofridas!
Sem contar que o marido dela é o Billy Crudup,
aí ela tem um caso com o James Franco,
e termina casada com o Javier Bardem…
O que eu acho que aconteceu de verdade: ela já era uma escritora publicada, com certo nome. Divorciou, escreveu a proposta de um livro prá sua agente vender prás editoras. Nesse livro ela iria passar 4 meses em Roma, 4 na Índia e 4 em Bali, e iria escrever como essa experiência a ajudou a ultrapassar um divórcio. Uma escritora experiente, uma proposta bem escrita, uma boa agente: livro vendido. Com o livro vendido ela faz a viagem e escreve uma versão muito editada e ficionalizada do que aconteceu. Pronto. Sucesso total.
Ela é uma mulher inteligente e uma escritora razoável. Não acho que tivesse má intenção. Mas queria fazer um livro que vendesse, que fizesse sucesso. Usou uma fórmula e funcionou. Acho inclusive que ela é bem mais inteligente que o livro dela.
Agora, no filme, a fotografia é legal, os lugares deliciosos. A Julia Roberts não sei o que fez; quanto mais velha mais bonita. O filme, aliás, deveria se chamar “Nossa como a Júlia Roberts é bonita!”. E o cabelo dela no filme: é absolutamente incrível. O filme é feito de incontáveis close-ups dela. A gente passa duas horas e meia olhando prá ela; existem experiências piores…Ela é tão expressiva; pena que não faça filmes mais sérios. Eu gosto dela. E o Javier Bardem como brasileiro tá até que bem. Fala até umas coisas em português. Fiquei pensando se não tinha um ator brasileiro qie pudesse ter feito esse papel e não achei nenhum. Quem são os atores de mais de 40 anos ( mas não perto dos 70…) que encaram uma tela grande? O José Mayer é feio que dói. O Wilker não tem alcance. Quem mais? Não sei.
De qualquer maneira, concluo mais uma vez que estou cada vez mais séria, chata e exigente. E não tem volta atrás.
29
08 2010
Filme mais que tristes…
Assisti a dois filmes ruins. Um deu prá ver até o fim, o outro não. O primeiro foi a “Young Victoria”, sobre a rainha Victoria quando subiu ao trono e quando casou.
Não acreditei em quase nada. Quer dizer, os fatos estão corretos, apesar de mostrados com muito mais simplicidade do que aconteceram. Os personagens estão tão caricatos, ela tão boba.
E não acredito que essa tenha sido a época mais interessante da vida dela. Aquele outro filme sobre ela, “Mrs. Brown”, é infinitamente melhor.
O outro filme, que assisti meia hora e não deu mais foi “Wolfman”. Como pode um filme com o Anthony Hopkins e com Benício ser ruim? Pois é péssimo.
Estão todos horrorosos, a estória (mesmo a meia hora que vi) é bobinha e óbvia. O lobisomem merecia um filme melhor. Parecia uma comédia, tipo “The Young Frankenstein”. Que desperdício de dinheiro e de Benício…















