Posts Tagged ‘animals’
Ô do sofá!
Quase meia noite. Saio prá passear minhas cachorras. Minha rua é calma durante o dia, de noite é deserta. Vamos pelo meio da rua. Charlie vai na coleira, porque é uma doida desobediente. Pita vai sem coleira, é uma senhora. Sabe aquelas velhinhas que a gente vê no super mercado, olhando produto por produto, devagarzinho? Assim é a Pita passeando. Cada vez mais acontece o seguinte: andamos, eu e a Charlie (Pita lá atrás) uma casa, duas casas e ela pára. Olha prá mim. Eu falo “mais um pouquinho, Charlie, mais uma casa, vamos”. Ela olha prá mim. Parada que nem uma mula. “Só mais um pouco, uns passinhos, vamo Charlie!”. Ela parada, o olhar dizendo “não dou mais nem um passo nessa direção, o sofá me espera”. Então eu desisto e falo “tá bom, vamo voltar”. Essa frase ela aprendeu rapidinho, quando ouve já faz a meia volta e se dirige prá casa. Quem gosta de cachorro que corre, anda, e acompanha em longos passeios não tenha um buldogue. Prá quem gosta de companhia no sofá, não tem cachorro melhor.
22
04 2013
A Formiga
Você tá na cama, lendo. Tarde da noite. Sente uma cócega no braço, perto do ombro. Coça. Continua a sentir a coceira. Você olha, é uma formiga gigantesca, vermelha. BAM! Sem pensar, você taca o livro na formiga – e no seu braço. Volta a ler. Um minuto depois você vê pelo cantinho do olho um movimento; é a formiga, subindo pela borda do colchão. PAFT! Livro nela, de novo. Você volta a ler. Dois minutos passam. Mas você tá desconfiada que a formiga sobreviveu. Levanta rápido da cama, e olha ali, a desgraçada, subindo pelo lado do colchão, em cima do lençol branco. TUMP! Livro com mais força agora. A formiga cai no chão. Cadê ela? Mas como ela já provou ser resistente prá caramba, você fica procurando até achar. Olha ela ali, se movimentando. TUM! BAM! PAFT! Agora ela morreu. Você olha mais um pouco, ela tá parada. Volta prá cama, recomeça a leitura. Um minuto depois você nota que não consegue saber o que está lendo. Só pensa se tem outras formigas na cama. Chega a sentir cócegas na perna, mas não é nada. Você pensa como ela conseguiu chegar até aqui. Se veio sózinha. Você já sabe; só vai conseguir voltar prá leitura se levantar, olhar debaixo dos travesseiros, do lençol e da cama. Vamos lá. E tudo isso por causa de uma reles formiga. Que covardia. A formiga era menor que a unha do seu dedo mindinho.
03
04 2013
Domingo, de papa à lagarta
Hoje saí de casa sem saber se o mundo tinha acabado. Domingo é dia de “farmer’s market”, então acordo, tomo banho e rua. Nem olhei pro computador prá saber as manchetes do dia. O mundo não tinha acabado, comprei minhas verduras, meu New York Times, e voltei prá casa. Agora é ler e lavar roupa. Domingão.
O papa é conservador, o papa não é conservador, que papo mais sem nexo! É óbvio que ele é conservador. A igreja católica é conservadora na sua essência hoje em dia. Não tem como ser papa e não defender isso. O papa anterior matou a teologia da libertação muito antes de ser papa, que se tivesse sido adotada teria dado à igreja mais tempo, e nós não estaríamos vendo hoje o começo do fim dessa instituição. Mas assim é, e falar que o papa não é conservador porque ele anda de ônibus ou cumprimentou os fiéis na porta de sua primeira missa como papa é sem pé nem cabeça. Ele pode ser pessoalmente uma pessoa que não se deslumbra com a vida de papa, mas que ele vai defender os princípios da igreja – como proibição de aborto, não aos direitos dos homossexuais, não à contracepção, não às mulheres em qualquer posição de poder na igreja, não ao casamento de padres, etc. – é mais do que óbvio.
Flora passou a manhã brincando com lobos bebês, levou uma bicada de uma ema e comprou uma lagarta daquelas que viram borboletas. Não fui com ela (é um cara que cria bichos humanamente e ensina crianças a respeitar e entender os bichos; leva em festas de crianças e tem um programa de férias onde as crianças vão todos os dias e ajudam a cuidar dos bichos), foi o Kim (genro extraordinaire). Mas falamos telefone e tivemos uma discussão sobre que nome dar à lagarta. Como não dá prá saber se é lagarta ou lagarto, decidimos por um nome neutro. Em homenagem à minha bulldog, a lagarta agora atende por Charlie.






