Enterro em SP

A internet aqui no Pacaembu é horrível. Lerda. Triste. Frustrante. A vida aqui em SP nessa estadia não vai muito bem. A sogra morreu, muito doente; morreu em casa, como queria. Com a família cuidando dela, confortável. Mas aí vem a loucura que é enterrar alguém em SP. O monopólio dos enterros é da prefeitura e isso faz com que o serviço seja terrível. Você tem que comprar tudo deles; as flores são feias, caídas, o material de tudo (minha sogra era católica, tinha que ter velas, crucifixo, etc.) é vagabundo. Não tem opção de horário, você tem que enterrar na hora que eles decidem. Tudo é pago “por fora”, os serviços necessários (tipo preparar a pessoa falecida) exigem que o motorista da prefeitura, que traz o caixão, chame uma pessoa particular; isso depois de a família estar super estressada sem saber quem fornece esse serviço, ninguém informa porque é “extra oficial”. É horrível a falta de sensibilidade deles na hora em que uma família está num momento vulnerável. É o tipo de serviço que tinha que ter um certo jogo de cintura, eu acho. Ela morreu às 9 da noite e tivemos que enterrá-la quase que correndo, às 11 da manhã, único horário disponível. Sem contar o carro funerário, que levou o caixão da casa dela até o cemitério da Consolação: um lixo, uma vergonha, caindo aos pedaços, prateado, todo batido, com um monte de coisa escrita da prefeitura. As pessoas nos outros carros na rua não sabem que aquilo é um carro funerário, porque realmente não dá prá saber. E nem deu tempo de avisar ninguém, nós estávamos exaustos. Ainda estamos. Agora é desmanchar a casa. Muito trabalho.

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01 2010

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  1. 1

    Meus sentimentos, Clarissa. Como você escreveu noutro dia, é sempre muito triste o término da vida de pessoas a quem estamos ligados. É um momento que todos gostaríamos de pular, dormir e acordar meses depois. Pelo menos é assim que me sinti toda vez que partiu um dos meus (meus avós, meu pai, meus tios e tias, primos queridos, amigas especiais and so on. Mas, enfrentar é preciso, sobretudo porque aqueles a quem amamos não morrem; permanecem vivos em nós.

  2. elena #
    2

    Muito bem dito Lea.
    Faço dela minhas palavras tb, Cla.
    I’m very sorry! Tomara que a próxima fase seja ao menos, menos burocrática!
    Estamos sempre perto em pensamento.
    Se precisar qualquer coisa, let me know.
    9617 7945
    beijo grande.

  3. 3

    Lamentável! Mas é na dor pelo ente que a gente percebe que todo o resto (transito, internet lenta, etc) é insignificante demais pra gente reclamar. Não? Melhoras e força!
    Ligia

    *existem serviços funerarios particulares aqui em sampa que cuidam de absolutamente tudo na hora do falecimento (mesmo sendo em casa). Tudo mesmo!

  4. 4

    Nossa, Clarissa, que stress. Nessa hora em que a gente já fica super perdido e confuso, ainda conseguem te afogar em burocracias e decisões. Força aí na segunda parte da epopéia, às vezes arrumar as coisas que ficaram também ajuda a dar um pouco de tranquilidade. E depois voce merece um descanso bom. beijo e abraço pra voce e a família.