The Hurt Locker

Uma guerra é uma soma de momentos traumáticos, caóticos e infernais ( e segundo os próprios soldados, quando nada disso está acontecendo o tédio é insuportável). Numa guerra não há final feliz. Não há vitoriosos. É uma coisa sem pé nem cabeça; não é possível que em pleno século 21 a humanidade não tenha acabado com essa herança maldita. Já deviamos estar usando a diplomacia em todos os casos de conflito. Tá certo que as situações são complexas, os níveis de desenvolvimento das populações mundias variam muito; as idéias mais que ultrapassadas, como guerra santa, ganham espaço onde a prosperidade, a democracia, uma visão racional do mundo, o progresso da ciência, etc. não existem. Não é à toa que Afeganistão, Iêmen, Sudão e Somália são alguns dos lugares mais perigosos do mundo. Me lembro de ter lido faz tempo um jeito muito simples de se verificar o nível de qualidade de vida e de progresso de um lugar: é só olhar o jeito que essa sociedade trata as mulheres e o espaço ocupado por elas. Quanto mais oprimidas as mulheres, pior a qualidade de vida. Bom, já tô desviando do meu assunto….

Essa guerra mais sem sentido (nenhuma tem sentido, mas essa é campeã) no Iraque é o meu assunto. Uma guerra feita sem pudor por interesses econômicos e pessoais do governo Bush.

Tudo isso porque assisti The Hurt Locker (Guerra ao Terror). É um filme pesado, obviamente por causa do assunto. Dirigido maestralmente por Kathryn Bigelow, que fez um filme preciso, limpo, emocionalmente poderoso. O ator principal, que eu não conhecia, é Jeremy Renner. Perfeito.

Assisti ao filme no fim da tarde, porque sabia que seria demais assistí-lo antes de dormir. Mas não adiantou muito, porque é daqueles filmes cujas cenas ficam na cabeça e o próprio clima do filme paira por horas. Ontem no Golden Globes o idiota do Jim Cameron falou uma coisa certa: que ele achava que a Kathryn Bigelow é que merecia o prêmio de direção. Eu concordo com ele.

O filme foi feito na Jordânia, perto da fronteira com o Iraque. Ele segue um time de desmontadores de bombas (chamados de EOD, “Explosive Ordnance Disposal”) em Bagdá em 2004. O cara que escreveu a estória acompanhou uma equipe dessas de verdade. Mostra toda a tensão de se conviver com uma população que não quer esses soldados ali. E que no meio dessas pessoas há algumas que decidem resolver essa situação colocando bombas no caminho dos soldados – sem se importar com as mortes de civis. A insurgência no Iraque é um assunto sem solução, como bem se vê nesse filme. Enquanto eles conseguem capturar ou matar alguns dos insurgentes, tem um monte de meninos que já estão se criando pro papel, e que aparecem no filme jogando pedras nos veículos militares. Ali não tem jeito: é a colisão de dois mundos irreconciliáveis. Mais uma situação sem solução num mundo cheio delas.

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01 2010

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  1. 1

    Very exciting I could not imagine like this before.