Archive for July, 2012
Olimpicamente estranho…
Assistindo a cerimônia de abertura das Olimpíadas. A NBC, que comprou os direitos de transmissão aqui nos EUA, tá fazendo um trabalho porco. Primeiro, não transmitiu ao vivo. Isso seria às 4 da tarde; colocou no ar uma versão editada e cheia de anúncios às 7:30 da noite. Vai tomar banho, NBC. Vamos ver se melhora na transmissão dos esportes. Uma vez assisti as Olimpíadas no Canadá e só passavam o que os atletas canadenses participavam. Sem graça demais.
A cerimônia foi estranha, não me pegou, fiquei o tempo todo lembrando do samba do criolo doido… O começo parecia uma cena hollywoodiana de alguma livro do Dickens. Aí veio a Revolução Industrial, assim; passou da Grã-Bretanha agrícola prás chaminés e fábricas. Ai, simplificar demais me doi. Adoro a homenagem ao NHS, o serviço de saúde inglês, que dá assistência médica grátis prá todos, viva eles. Aí caímos no Peter Pan, e nos vilões das estórias infantis. Eu sempre achei que a Mary Poppins salva tudo! Mas isso é exagêro. Ótimo: Daniel Craig, a Rainha e principalmente os corgis. Grandes atores, os corgis. O que é o amor pela pátria, nāo, Kenneth Brannagh e Daniel Craig?
Mr. Bean salvou um pouco a chatura da coisa. Viva Rowan Atkinson. Agora uma família, e uma meninanada. Ficando tonta com esse vai e vem no tempo! Tava no presente e aí Voltou pros anos 60? 70? 80? 60? Me segura que eu vou cair!!!! Ah, rap. Oy vey. Será que a rainha tá gostando? Gosto dos efeitos especiais, os equilizadores na platéia. O menino e a menina se apaixonam e ela leva todo mundo prá casa prá fazer uma festa; vai ficar de castigo seis meses…O fundador da Internet. I love you. Ele, os corgis e Mr. Bean fizeram valer a pena assistir até agora. Beckham bonitinho, trazendo a tocha de lancha pelo Thames. Começou o desfile das equipes. Vou esperar o Brazil. Chegou. Ai, cansei. Vou ver um drama de uma hora gravado no meu DVR. Pronto. Vi o drama e o pessoal tá ainda desfilando? Vou prá um mistério inglês, chega de cerimônia. Não vi o Paul McCartney, mas não faço a mínima questão, não vi acender o fogo, vou ver se acho na internet. Let the games begin.
Mais uma coisa: eu, como boa brasileira, tremo ao pensar como vai ser uma coisa dessa proporção, organização e complexidade no Brasil. Acho que vou prá algum lugar onde não pega tv nem internet. Retiro 2016. Acabe com seu stress e não passe vergonha internacional.
28
07 2012
55
Ontem foi meu aniversário; odeio fazer aniversário desde que me conheço por gente. Mas foi, passou. Eu compartilho essa data com provavelmente 18 milhões de outras pessoas na terra…
Minha filha Calú e a Érica, amiga e sócia dela, me deram esse lindo colar. Dá prá fazer quantas voltas quiser, ele é bem comprido. Lindo.
E fomos jantar no restaurante chinês, um que a gente mal entende o que o pessoal fala, tão chineses são.
26
07 2012
Autobiográfico
Sou preguiçosa, esqueço de respirar fundo, e não gosto de reclamar. Quero que todo mundo goste de mim, mas esse trem já partiu faz muito tempo…Tem mais gente que não gosta de mim do que eu gosto de admitir. Sou professoral, não sei participar de conversa mole e meus joelhos são podres. Gosto de bolsos. E de estórias, sejam escritas ou em filme. Adoro canetas e lápis e odeio máquinas de escrever. Não uso mais relógio. Tento ser organizada. Sou magoada facilmente. Mas na maioria das vezes engulo e deixo passar. Isso ainda vai me matar. Sou muito imperfeita prá mim, consigo enumerar um monte de defeitos meus, mas as qualidades me escapam. Não sei receber elogios. Tomo chá o dia todo, mais ou menos revezando com água. O que eu planto normalmente cresce. Não acredito em nada sobrenatural, religioso, astrológico, espiritual. Sou assim, pão pão queijo queijo. O conhecimento é o meu caminho; tanto sobre as coisas do mundo quanto sobre mim mesma. Sigo a regra de ouro (ou tento com forte intenção): aja com os outros como quer que ajam com você. É o meu único princípio. Sou obcecada em cumprir a lei. Qualquer que ela seja. Um mixto quente é um perfeito jantar prá mim. Acredito que sapatos confortáveis diminuam o sofrimento humano. Até hoje, quando olho prá um céu estrelado, acho aquilo uma beleza.
24
07 2012
Last Rituals
Mistério islandês. É bom, não ótimo, mas bom. A escritora, com esse nome quase impronunciável, Yrsa Sigurdardóttir, é também uma engenheira civil e dirige uma firma de engenharia que faz projetos pela Europa. É mãe e avó, e escreve à noite. Foi publicada em 35 países. Ô mulher ocupada.
23
07 2012
Charlie Honey
Faz tempo que não falo da Charlie. Ela continua linda, teimosa e engraçada. Late prá helicópteros e prá trovão. Tem medo e late enlouquecida prá violões, guitarras, sacolas e prá extensão do aspirador. Adora cerejas, pêssegos e nectarinas. Continua – como a foto mostra – usando o pobre do poodle cor de rosa como chupeta.
É muito afetuosa e vive sob a impressão que é uma cachorrinha de colo. Quase nos mata com seu peso de bulldoga. Enfim, Charlie é uma cachorra e tanto, não só pelo peso como pela personalidade. Meus filhos tem ciúme dela; só prá dizer o nível da obssessão que tenho pela dita cuja.
23
07 2012
Mamita
Da série “A Miami que os Turistas Não Vêem”:
Tô no supermercado, fila do balcão de frios. Pego o papelzinho com meu número de atendimento, que é 80. Depois de uns 5 minutos, uma senhora, que é tão baixinha que quase não a vejo atrás do balcão, grita com um forte sotaque espanhol: “sebenty ei, sebenty nai, eiti..”. Eu levanto a mão com o meu papelzinho e falo “Eighty!”. Tô cansada, semana foi difícil, não quero hablar. Ela: “si, mamita?”. As cubanas chamam todo mundo de “mamita” ou de “miija”, que é “mi hija”. Eu: “I want a pound of ham, please”. Ela: “mas qual? El smoked? O el boil?”. Eu desisto. “Una libra del comum, por favor”. “Si, mamita”. Ela corta e me dá o pacotinho. Eu falo, “Muchissimas gracias, tenga un buen dia”. E ela, “Bye, mamita”. Tem coisas que é inútil lutar contra; uma delas é o bi-linguismo de Miami. Fazer o quê, sempre acabo sorrindo quando hablo com uma mamita…
22
07 2012
Calor e Massacre
São onze e meia da manhã e lá fora a sensação térmica é de 37 graus. Hoje promete.
Uma das coisas que mais odeio aqui nos EUA é esse amor pelas armas, e a defesa (errônea) da segunda emenda da constituição. Esse emenda fala do direito do cidadão de ter armas; o problema é que ela foi feita em 1791, quando o mundo era totalmente diferente. E foi feita em um país que ainda estava se organizando, em um mundo em que não havia polícia e onde duelos eram legais. O que acontece quando a ignorância reina e as bestas acham que ter armas em 2012 é uma necessidade (!!!!) é um massacre como esse ontem no Colorado. Agora resta saber quem é esse assassino. Ele pode ter uma entre muitas possíveis razões. Mas a facilidade de ter armas e a cultura que as aceita e até as defende é que tornou possível que ele transformasse uma causa, uma frustração ou até a manifestação de uma doença mental em uma realidade violenta. E em uma tragédia imensa prá muitas famílias. Odeio armas.








