Archive for May, 2012

Charlotte

Diário da Charlotte Brontë (1816-1855), olha que letrinha!

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05 2012

A Voz Interna

Sabe essa voz interna que todo mundo tem? Essa voz que nunca fica quieta? Quer dizer, pelo menos prá mim, ela fala o tempo todo, menos quando eu durmo. Acho que aí ela continua falando, mas a gente não escuta. São os sonhos, alguns que por alguma razão misteriosa a gente lembra, a grande maioria deles perdida prá sempre. Essa voz é perigosa; a gente tem que lembrar que ela não é nossa amiga (não confundir com a intuição, que é mais uma soma das nossas experiências todas, uma essência do que aprendemos até morrer). A voz interna é a soma das nossas experiências e traumas que a gente viveu na infância. Esses primeiros anos – parece que principalmente até os 7, 8 anos – é quando nós formamos nossas reações mais básicas, nossa base emocional. Se a criança vivia numa casa mais prá tranquila, com pais que a apoiavam, incentivavam e proporcionavam uma base segura emocional, relativamente uniforme, ela cria uma boa auto-estima, e essa voz interna não atrapalha muito. Mas se a criança vive uma situação emocional imprevisível, se não tem segurança do apoio dos pais, vive com uma sensação de mêdo, aí essa voz interna vai durante toda a vida repetir essas emoções. Tem que se aprender a não ouví-la. Não adianta tentar apagá-la, ela não vai embora. Assim as reações emocionais se formaram, e assim elas vão continuar. Pode-se entender o mecanismo, reconhecer o que acontece, e diariamente lutar contra a voz. Mas ela fica ali, falando, falando, e repetindo o que aprendeu quando se formou. Não é interessante? Não dá mais peso ainda prá responsabilidade de ser mãe/pai? Tô escrevendo sobre isso porque tenho lido sobre o assunto em vários lugares diferentes; eu acredito em terapia, principalmente no pensamento terapêutico que a gente aprende ao fazer terapia, então acho interessante e útil adicionar a esse conhecimento.

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05 2012

Mma Ramotswe

Mais um da série sobre Mma Ramotswe, detetive particular de Gaborone, em Botswana. Adoro a Mma Ramotswe, a essa altura já somos amigas íntimas, mas tô meio cansada das histórias. Essa série vale pelos personagens, não pelas histórias. O escritor é fraco em imaginação, bom em descrição…

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05 2012

Sangue na minha tv

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Game of Thrones tá uma guerra só hoje. Uma sangueira daquelas. Tô vendo meio que não vendo.

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05 2012

Newton, gênio como poucos, louco como muitos

Jardim de Newton em Cambridge

Isaac Newton, um dos grandes gênios da humanidade, era bem doidinho. Tem muita gente que acha que genialidade anda de mãos dadas com a loucura. Eu acho que isso é muito simplista; tem gênios de todos os jeitos, e os não gênios, nós, os comuns mortais, também somos bem doidinhos. Mas Newton, conforme diz Peter Ackroyd, “andava em seu jardim onde, segundo um dos seus assistentes, não suportava a visão ou presença de nenhuma erva-daninha. Isso era parte de seu impulso em relação à ordem, limpeza, e perfeição. Ele mantinha uma caixa cheia de guinéus na janela, como um teste deliberado da honestidade dos que trabalhavam para ele. É bem claro que a mente de Newton era frequentemente perturbada. Ele não suportava ser criticado ou questionado de forma alguma. Ele era uma dessas pessoas que nunca descansam durante a vida.”

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05 2012

Trivial, já cansada do século 21

Sou só eu, ou tudo tem mais agora? Tô me sentindo afogada no meio de tanta coisa em todo lugar. É livro demais na livraria, música demais no iTunes, comida demais no supermercado. Será que precisa tudo isso? Prá quê tanta bolsa, sapato, panela? A loja de colchão é um oceano de camas. A seção de pregos na loja de ferramentas é uma parede de 100 metros. Será que dá prá diminuir um pouquinho, por favor? Esse excesso me dá enjôo de estômago. Ando pela minha casa procurando coisa prá jogar fora. Será que preciso disso? E aquilo? Tenho que guardar? Vou acabar morando numa cabana, no alto da montanha.

Fui na médica semana passada. Coisa de rotina. Minha médica é indiana, Dr. Lolayekar. Quando ela entrou na salinha de consulta, achei ela acabada. Pois ela tá com o cabelo ralo, a pele verde, a cara cansada. Como faz quando a gente vai no médico e ele tá pior que a gente? Acho que ela não tem nada sério, só o que todo mundo tem: estresse, ansiedade, provavelmente alergia a alguma coisa, e acho que não faz exercício. Quase comecei a tratar dela; afinal, sou de uma família repleta de médicas amadoras.

No final da semana passada a Grécia ia arrastar a Europa pro buraco. Hoje já li que as coisas melhoraram. Como assim? O que aconteceu no fim de semana? É impressionante como a gente não fica sabendo de quase nada, mesmo lendo notícias todos os dias. O que é disponível pro público é uma pequena porção do que acontece. Daí essa sensação de montanha russa que a gente tem.

Hoje é feriado aqui. É Memorial Day, dia de homenagear e lembrar os soldados que lutaram pelo país e principalmente os que morreram em batalha. Como todo mundo sabe, os EUA são adeptos à guerra. Não sei a razão, devem ser várias. Só no século 20 participou de 4 guerras grandes: a primeira mundial, a segunda mundial, a da Coréia e a do Vietnã. E na primeira década do 21 já estamos com duas! Não é lindo? Quantos morreram, e quanto dinheiro foi ganho com essas guerras. A principal razão da guerra é dinheiro. Cada vez mais. É uma falta de vergonha descarada. Vender armas, vender reconstrução, vender serviços pro governo: muito, mas muito dinheiro. Não é possível que hoje, em pleno século 21, não possamos resolver conflitos com diplomacia. É claro que pode. Mas isso não dá lucro. Ô humanidade sem caráter.

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05 2012

Picasso, Matisse, etc.

Essa é a história (que eu prometi contar) de como Picasso caiu e Matisse subiu na minha vida. Eu comecei a pintar quando tinha uns 28 anos. Tive aulas, aprendi sozinha, nem sei quantas horas de papel/tela e tintas/lápis eu tenho. Comecei a ver arte com outros olhos, de outras maneiras. Quando a gente pinta a gente vê o quadro de longe e daí vai pertinho – assustando o guarda do museu – prá ver como aquilo foi feito. A gente vê as cores, as formas, o movimento. No começo me apaixonei por Picasso. Já gostava dele antes, mas comecei a ver a genialidade, a versatilidade e a criatividade dele.

Vi um monte de Picassos, museu em Barcelona, em Paris, obras em Nova York, Londres. Era só Picasso; prá mim não tinha igual. Aí no final de 92 fui prá Nova York e tava tendo uma retrospectiva do Matisse no MOMA.

Catálogo da retrospectiva do Matisse

Pronto. Acabou o Picasso assim, em um dia. Entendi que Picasso era mesmo tudo aquilo que eu via, mas faltava um componente essencial: a humanidade. Picasso é técnica, principalmente. É uma overdose de maestria que nos oprime um pouco. Mas apesar de espanhol de Andalusia, de ter a “mirada fuerte”, sua pintura não é tão emocional (talvez a exceção seja Guernica e esse auto-retrato, mas 0bserve como ele nos olha de cima).

Quando me vi cercada pelas cores de Matisse, mudei de time na hora. Quanta coisa aquelas telas e desenhos e colagens transmitiam além de técnica e talento. As obras de Matisse mostram humanidade e sensações, são abertas e vivas.

Até hoje não mudei de idéia sobre ele. Incorporei outros ídolos modernos, como Cy Twombly, Lucien Freud, Basquiat e descobri outros antigos, como Gauguin, Turner, Rembrandt e Manet. Eu já conhecia todos esses antes de começar a pintar, mas a partir daí minha visão mudou, meu ângulo de observação é outro. E essa lista já tem muitos anos, sem mudanças. Hoje, como em tudo, é um excesso de artistas, uma quantidade tão grande de obras e de técnicas e mídias diferentes que fico até tonta. Tenho esse meu panteão, ali, pairando sobre mim. Se eu descobrir alguém que caiba nele, vou ficar muito contente. Adoraria que ele aumentasse. Nos últimos anos vi uma exposição linda de Miró e outra mais linda ainda do Kandinsky. Mas não sei se vão pro panteão. Estão na ante-sala, pelo menos.

O interessante é que Picasso considerava que Matisse era o único “concorrente” dele. Eles tinham uma rivalidade – mais da parte do Picasso – que durou décadas. Hoje deve ter muita gente no setor de arte que não vê a menor importância em nenhum dos dois. Muita coisa que vi nos últimos 30 anos me leva a pensar assim. É a natureza da arte: matar para inovar. Depois volta.

Um dos meus preferidos

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05 2012

Vício

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05 2012

Are You My Mother?


Genial. Profundo, pessoal, corajoso. É uma “graphic novel”, quadrinhos prá adultos.

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05 2012

Tema do dia: burocracia

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Tá no 717. O meu é 724. Paciência não é o meu forte.

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05 2012