Archive for December, 2011
2012, bye bye baby…
Então, 2011 foi o seguinte: queda de alguns ditadores, o que dá margam prá gente mais louca e mais radical tomar o poder. Prevejo (com a minha bola de cristal, people!) que teremos algumas notícias um pouco assustadoras da região da primavera árabe. Morreu um monte de gente, alguns legais, alguns não. Como em todos os anos. O que que eu posso fazer? É assim sempre, todo o ano a mesma coisa…Ano é uma ficção humana, a vida é um monte de dias divididos por noites. A gente divide prá ficar bonitinho, prá dar sensação de ordem no caos, prá ter ilusão de controle. Mas voltando a 2011. O culto às celebridades continuou desenfreado, a Europa teve um ano ruim, nos EUA também não foi aquela maravilha, o Brasil tá jóinha. Nesse setor a bola de cristal tá meio enovoada, não tô vendo nada…
Pessoalmente, o ano foi mais prá bom. Li demais, aprendi muito, pensei, pensei, pensei. A família (toc toc toc) tá bem, indo prá frente, às vezes pro lado, às vezes um pequeno passinho prá trás, mas no balanço acho que a frente ganha. Vi um filme que adorei, “Tree of Life”. Os livros que mais gostei (de ficção) foram “Cutting for Stone”, do Abraham Verghese, “Enduring Love”, do Ian MacEwan e “The Sense of an Ending”, do Julian Barnes. Li mais ou menos uns 47 livros em 2011. Tá bom, dá um por semana. Mas queria ter lido dois por semana. Sabe porque? Porque nunca tô satisfeita, sempre acho que deveria ter feito mais, tentado mais, conseguido mais.
Que mais? 2011 teve alguns desentendimentos, alguns descobrimentos, alguns “insights”. Decepções, medos e meu amigo íntimo, o estresse. Teve também apoio, declarações e união. Tô pronta, que venha 2012.
Só um porém: já avisei aqui em casa que não consigo assimilar essa passagem tão rápida do tempo. Às vezes ainda vou escrever cheque e sai um 1998 na data. Então vai ter uns “nossa, é 2012” provavelmente até 2013.
Feliz ano novo, meus amigos internéticos. Até 2012.
31
12 2011
Entre ontem e hoje
Arquivei toda a papelada, contas pagas, coisas dos vários seguros (aqui é obrigatório ter seguro de casa contra um monte de coisas), coisas de manutenção da casa. Troquei de lugar umas coisas na cozinha que tavam me incomodando. Plantei alecrim. Comprei um alicate (ferramenta, não de unhas). Assisti filme com as netas no sofá, cozinhei “a la carte”: arroz e feijão prá uma, macarrão no forno pro outro, omelete prá outra, salada, laranja descascada em gomos, sanduíches e assim por diante. Ajudei a filha com uma papelada, fiz massagem no filho com dor de cabeça. Joguei o viciante “Cradle of Persia” no computador, fui duas vezes no supermercado. Assisti um policial inglês. Fiz cheques, dei bronca na Charlie (muitas e muitas vezes), varri o jardim de trás. Li. Pensei no que levar na festa de ano novo amanhã. E mesmo assim acho que não fiz nada..
30
12 2011
Blue Nights
A Joan Didion é uma escritora americana que escreve ficção e não-ficção (ensaios, textos jornalísticos, memórias). Ela também escreveu pro cinema e é igualmente bem sucedida nos três gêneros. Esse livro é de memórias; quer dizer, mais ou menos, é mais uma mistura. Os temas principais são a morte da filha e o envelhecimento dela (da Joan). Ela descreve a fragilidade, o mêdo, as mudanças que a idade traz (ela tem 78 anos, mas é magérrima, fraquinha). Mais do que da morte da filha ela fala da vida da filha, de como ela adotou essa menina, do amor que tinha por ela, etc. Mas o mais legal nesse livro é como essa mulher tão inteligente vai analisando tudo, questionando tudo, sobre ela, sobre o que aconteceu, suas memórias. Um livro bem bonito.
Ultimo livro de 2011. Quer dizer, começo um hoje mas não acho que vou acabar antes do ano se ir.
29
12 2011
Sim! O retorno.
Gosto de bibliotecas, Frida Kahlo e séries policias inglesas na tv. De papel branco, arroz e de ver o mar. Museus, céu estrelado, fogos de artifício e goiaba. Gosto das raras vezes em que estou satisfeita com o mundo. De cachorros que roncam, Virginia Woolf, chão de madeira e de olhar pela janela. De jardins japonêses, churrasco, criança no colo. Gosto de dar risada, de catar conchinhas, do iPhone e de polenta. De matar mosquito. Quer dizer, de mosquito morto. Cozinha arrumada e documentários. Da auto-aceitação que a idade traz.
29
12 2011
Ceviche
Ceviche de atum, com azeite de olive, limão, shoyu, coentro e sementes de gergelim pretas. E sal, claro. Acompanhando, guacamole. Absolutamente delicioso.
28
12 2011
Trivial Variado com Novela e Padres
Comprei tanta comida esse mês que dava prá alimentar a rua toda. Oy vey.
Esse lance da Folha colocar na versão online o que tá acontecendo nas novelas como se fosse notícia é de enlouquecer. Eu não assisto essas novelas, não conheço os personagens e de repente tá lá “Manuela pergunta a Rodrigo se ele ainda gosta de Ana”. É notícia? Merece a página de entrada na Folha online? Agora já peguei o jeito, mas das primeiras vezes eu ficava encucada, quem é esse povo, tão importante, assim citado sem sobrenome…Folha, se toca! Novela é novela. Me lembro sempre da minha avó, que ia visitar uma cunhada lá pelos anos 60/70. Ela chegava, começavam a conversar e a cunhada começava a falar de gente que minha avó não tinha idéia quem fosse, intercalando com estórias sobre a família. Demorava um pouco prá minha avó entender que era gente de novela; e começar a separar fato de ficção. Minha tia-avó considerava aquelas personagens como gente que ela conhecia, gente que fazia parte de verdade da vida dela. Acho que a Folha aprendeu com ela.
E em Belém, na Igreja da Natividade, os padres brigam…Os gregos ortodoxos e os armênios se armam com vassouras e caem uns em cima dos outros. Que lindo. Eles dividem a administração da igreja e nunca concordam. A igreja, que tem 1.700 anos, está caindo aos pedaços porque eles não conseguem concordar sobre quem deve pagar a manutenção e os consertos. Faz anos, quando visitei o Santo Sepulcro em Jerusalém, achei que parecia uma feira, porque cada pedaço é cuidado por uma denominação diferente. Ortodoxos, armênios e católicos romanos fazem daquilo uma colcha de retalhos. Agora, se esses homens tão cristãos e espirituais não conseguem se entender, que esperança há prá nós, pobres mortais cheios de falhas? Mas aqui entre nós, briga com vassouras é o máximo. É uma comédia.
28
12 2011
Três Filmes
The Descendants. Muito bom.
A estória de uma família havaiana. O Havaí é lindo; não deve ser um lugar ruim prá morar…
O George Clooney, além de ser George Clooney, é um baita ator. Como ele sofre nesse filme. Ele tá até feio.
Margin Call. Filme sobre o começo da crise financeira que abala o mundo inteiro – parece que menos o Brasil…
Roteiro ótimo, dose perfeita de tensão, diálogos claros e precisos.
Também com essa turma de atores é difícil dar errado. Se bem que filmes são como futebol, a famosa caixinha de surpresas.
O Sherlock 2. Gostei do 1, então fui ver o 2. Mas sabe o que? Podia ter esperado prá ver em casa, no pay-per-view…
Bem menos interessante que o 1. Impliquei com algumas coisas: a estética de cores meio mortas cansa, o sotaque britânico do Robert Downey Jr. fica fraco perto do lindo inglês do Jude Law e não tem tanto suspense quanto deveria. Mas não é ruim não; vale ser visto.
Principalmente por causa do papel do irmão do Sherlock, que é feito por um dos meus favoritos, o Stephen Fry.
















