Archive for August, 2010

Será que vai?

Aulas. Textos prá ler. A minha experiência anterior de universidade, na USP, década de 70, foi muito fraca. Eu era muito imatura, não sabia o que queria de jeito nenhum, fui fazer o curso errado. Tava mais perdida do que nunca. Não foi uma experiência boa sob nenhum aspecto. A não ser que foi lá que conheci minha amiga Lucita, muito querida…

Além do que a universidade tinha mais greve do que aula. Era greve em solidariedade com os companheiros daqui, dalí e de todos os lugares possíveis. Todo dia entrava alguém na classe e fazia discurso sobre ditaduras, ou sobre o governo, ou nem me lembro mais sobre o quê. Era um exagêro de politização, quase que uma caricatura do envolvimento engajado. Mas fazer o quê, era assim naquela época.

Foi uma época também confusa na minha vida pessoal, final da adolescência, vida familiar, muitas coisas difíceis de entender, assimilar, ultrapassar. Me formei, fui fazer especialização em museologia – outro caso complicado, era uma escada prá uma mulher com muitas ambições, que era a criadora e diretora do curso. Acabou, casei meses depois. O resto é crianças, viagens, mudanças, pintura, livraria, EUA, tradução…Muita coisa, muitos anos.

Agora então posso realmente estudar e gostar. Mas sendo a pessimista que sou, já fico pensando o que vai acontecer prá me atrapalhar…Enquanto não acontece tô aqui lendo, relendo, anotando, pensando. Nos intervalos lidando com a obra. E a vida que não pára: filhos, netas, casa, supermercado, problemas, etc.

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31

08 2010

Coisas sobre mim

Lavo a mão prá tomar banho.

Não gosto de amarelo.

Não tenho muita curiosidade sobre a vida alheia, a não ser se a pessoa é meu vizinho. Aí sou daquele tipo que sobe no muro prá olhar…

Não gosto de bala, refrigerante e biscoito.

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29

08 2010

Eat Pray Love

Eu li o livro quando foi lançado, faz alguns anos.

Não achei grande coisa. Fez um sucesso danado, vendeu milhões de cópias no mundo todo. Mas achei raso, falso, auto-ajuda disfarçada (ou nem tão disfarçada assim). Talvez no filme melhoraram a estória, pensei. Porque um livro pode ser transformado em filme de inúmeras maneiras. Mas não; o filme é tão ruim ou até pior que o livro. E a culpa, a meu ver, é do diretor.

O que me incomodou em ambos: essa coisa de auto-ajuda, disfarçada ou não, é uma bobagem. A única auto-ajuda que funciona -  e nem sempre – é a psicoterapêutica. O resto engana. No caso do Eat Pray Love a autora cria expectativas inalcançáveis: você viaja, o que já supõe que você tem meios prá isso. Chega nos lugares e conhece as pessoas perfeitas; nada de conhecer gente malandra, ser enganado, ou descobrir que seu novo amigo/a é na verdade viciado em alguma coisa ou trabalhou como escort quando mais moço…não, todo mundo é bom e lindo! Aí você é ajudado a ter os insights mais profundos, ou por essas pessoas maravilhosas ou por sinais (ai ai ai). E no final você encontra não só a felicidade como o amor, na figura de Javier Bardem no filme. Vai colocar expectativas impossíveis assim no quintos dos infernos!

Outra coisa: a personagem principal, que é a escritora Elizabeth Gilbert, porque isso é uma auto-biografia, prá mim é a perfeita mimada do primeiro mundo – principalmente dos EUA. Vive uma vida tão privilegiada que não tem idéia do que é ter problemas de verdade; tem um divórcio fácilimo, no qual ela chutou o marido e sofre como se tivesse descoberto que o marido teve 10 amantes ou passou HIV prá ela ou que ele era um espião russo…Ela tava simplesmente entediada, “procurando ela mesma”. Vai ser bôba assim no outro canto. Dá prá notar que isso me irrita? O divórcio não era razão prá tanto barulho. Eu acho que o que aconteceu foi completamente diferente, o que faz com que as memórias dela sejam mais do que fabricadas. E sendo assim não são memórias, é pura fição. O que ela diz é que depois do divórcio resolveu ir prá Roma, Índia e Bali prá achar ela mesma, o seu caminho, blá blá blá…E aí voltou, escreveu o que aconteceu e virou um sucesso, o que foi uma absoluta surpresa, ai meu deus, como o universo é justo, sofri tanto então estou sendo recompensada, e além de tudo ajudando a milhões de mulheres a escaparem das suas vidas sofridas!

Sem contar que o marido dela é o Billy Crudup,

aí ela tem um caso com o James Franco,

e termina casada com o Javier Bardem…

O que eu acho que aconteceu de verdade: ela já era uma escritora publicada, com certo nome. Divorciou, escreveu a proposta de um livro prá sua agente vender prás editoras. Nesse livro ela iria passar 4 meses em Roma, 4 na Índia e 4 em Bali, e iria escrever como essa experiência a ajudou a ultrapassar um divórcio. Uma escritora experiente, uma proposta bem escrita, uma boa agente: livro vendido. Com o livro vendido ela faz a viagem e escreve uma versão muito editada e ficionalizada do que aconteceu. Pronto. Sucesso total.

Ela é uma mulher inteligente e uma escritora razoável. Não acho que tivesse má intenção. Mas queria fazer um livro que vendesse, que fizesse sucesso. Usou uma fórmula e funcionou. Acho inclusive que ela é bem mais inteligente que o livro dela.

Agora, no filme, a fotografia é legal, os lugares deliciosos. A Julia Roberts não sei o que fez; quanto mais velha mais bonita. O filme, aliás, deveria se chamar “Nossa como a Júlia Roberts é bonita!”. E o cabelo dela no filme: é absolutamente incrível. O filme é feito de incontáveis close-ups dela. A gente passa duas horas e meia olhando prá ela; existem experiências piores…Ela é tão expressiva; pena que não faça filmes mais sérios. Eu gosto dela. E o Javier Bardem como brasileiro tá até que bem. Fala até umas coisas em português. Fiquei pensando se não tinha um ator brasileiro qie pudesse ter feito esse papel e não achei nenhum. Quem são os atores de mais de 40 anos ( mas não perto dos 70…) que encaram uma tela grande? O José Mayer é feio que dói. O Wilker não tem alcance. Quem mais? Não sei.

De qualquer maneira, concluo mais uma vez que estou cada vez mais séria, chata e exigente. E não tem volta atrás.

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29

08 2010

Robert Clarke

Ele pinta cachorros.

E passarinhos.

Ele é inglês e mora no México.

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28

08 2010

Brasil brasileiro

Eu tava aqui pensando como melhorou a situação econômica no Brasil…como o status global do país mudou e realmente teve uma melhora grande na qualidade de vida. Mas a violência não mudou. Não teve uma melhora comparável com a da qualidade de vida, se é que teve alguma mudança. Então será que tô muito errada em concluir que a violência virou quase que cultural no Brasil? Não é mais tão relativa à não ter o que comer, mas sim já é vista como uma “carreira”, um modo de vida. A meninada não pensa em ser mecânico ou motorista de táxi – já parte prá roubar e assaltar. Sem falar no tráfico de drogas. Acho que isso só melhora se acontecer uma mudança profunda no sistema educacional; essa seria a única esperança de ver as gerações mais novas pensarem em outras opções de sobrevivência. Só melhora na economia não deu em nada. Os assaltos continuam, e outras formas de violência também. Criou-se uma população de um lado bandida e do outro apavorada. Só entende o que é isso quem já morou em um lugar assim.

28

08 2010

Eu, mais que variada

Lendo sobre antropologia evolucionária (será que é assim que fala em português?!?). Interessantíssimo. Grave preocupação sobre a capacidade do meu cérebro de guardar tudo isso. Só penso em tudo o que vou ter que jogar fora prá caber esse quantidade de informações. Tô prevendo que nomes de muita gente, acontecimentos variados, localização de vários objetos serão colocados no arquivo morto. Peço desculpas antecipadamente.

Essa semana foi ocupada, não deu prá postar muito. Prometo melhorar a eficiência do estabelecimento. Reforma + estudos + família + casa = coisa demais. Preciso aumentar minha organização e minha divisão do tempo. Aiaiai.

E ainda mais o calor parece que aumentou (se é que é possível). A umidade nessa semana está altíssima – exatamente o contrário de SP, mas igualmente desagradável. Andar uma quadra cansa como se fosse 10 quilômetros. Sinusite, roupa grudada, o quente /frio o dia todo. Haja Advil.

Samantha se perdeu de novo e de novo foi achada. Tô achando que ela tá com planos sofisticadíssimos de fuga e de se esconder. Achamos que ela tem alma de quilombola…E só dá prá achar a safada à noite, de madrugada, quando ela passeia como se a casa fosse dela.

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27

08 2010

Trivial

O que choveu ontem, minha nossa…E agora o céu tá todo preto lá pro sul. Engraçado como aqui nos EUA a gente sabe sempre onde é o sul, o norte e assim por diante. É assim que a gente explica os caminhos: pega a rua tal direção sul e aí pega a segunda a direita e vai leste. E todo mundo entende! Aí em São Paulo não tenho idéia onde é sul ou norte. Ou pelo menos tenho que pensar muito prá poder dizer com alguma certeza.

Ontem comecei as aulas. Pega no tranco, ó cérebro meu! Anotar, entender, e conseguir pensar, tudo ao mesmo tempo. Ali, na hora. Depois conto mais. Agora vou na academia que se eu não fizer exercício aí que o cérebro não colabora mesmo. Ah, e pegar o piso da lavanderia, que o cara ligou que chegou.

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26

08 2010

Inception

Já faz umas três semanas que assisti ao filme. Não é meu estilo. Achei legal, mas não gosto de filme que faz a gente sair com mais perguntas do que respostas. Quer dizer, adoro filmes que me provocam perguntas existenciais; mas não gosto das perguntas práticas. Como aconteceu isso? O que ele tá falando? Se alguém entendeu tudo nesse filme merece um prêmio. É a mesma sensação que eu tive quando assisti aos 3 ou 4 capítulos do Lost: fiquei mais perdida do que achada…Parei de ver, mas segui pessoas que viram até o fim e que não tiveram nenhuma resposta para as inúmeras perguntas que apareceram durante a série. Isso me irrita. O filme não me irritou tanto, afinal tem uma estória, tá certo que sem começo/meio/fim tradicionais, mas é uma estória. E tem o Leonardo di Caprio, de quem eu gosto. E a Marion Cotillard, linda, linda. Mas tem simbolismo prá cá e prá lá, e o meu cérebro perguntando “como?” de 5 em 5 minutos. Exaustivo e nada prazeiroso.

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25

08 2010

The Imperfectionists

Bem interessante e bem escrito. São estórias sobre os personagens envolvidos em um jornal de língua inglesa sediado em Roma. O fundador e cinquenta anos da história do jornal, até seu fechamento. Os personagens são vivos, complexos e é um daqueles livros que não tem uma palavra a menos (ou a mais) do que deveria ter.

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08 2010

Original

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08 2010