Archive for June, 2010

Memorial

Da mesma forma que não gostei do museu judaico de Berlin gostei muito desse memorial, cujo nome inteiro é Memorial aos Judeus Assassinados da Europa. São esses blocos de cimento de várias alturas; a gente vai entrando e andando no meio deles e eles vão crescendo em direção ao meio. Dá uma sensação de quantidade de gente, de opressão, de não ter prá onde fugir. Mas a melhor parte é embaixo. Tem um pequeno museu, com a história do holocausto, com muitas fotos, fazendo com que a história fique muito pessoal. Tem uma parte com pedaços de cartas escritas quando as pessoas notam que vão morrer que é de quebrar o coração. É uma sala escura, com os textos das cartas projetados no chão, com explicações sobre o que aconteceu com aquelas pessoas. Não é fácil me emocionar, mas essa sala acabou comigo.

O memorial ocupa uma praça toda, bem grande.

Foi uma briga de muitos anos a construção desse memorial. Fizeram primeiro um daqueles concursos internacionais. O projeto que ganhou foi vetado pelo primeiro ministro Helmut Kohl – era um campo imenso de granito com o nome de todos os que morreram gravado na pedra. Aí fizeram esse projeto do arquiteto Peter Eisenman e do engenheiro Buro Happold. Um bloco de concreto para cada folha do Talmud.

Os blocos são revestidos de uma material especial que permite que se limpe graffiti com muita facilidade; o mêdo são mensagens racistas e anti-semitas.

Tags: ,

29

06 2010

Berlin variada

A primeira coisa que fomos ver em Berlin foi o CheckPoint Charlie. Hoje em dia é só um cenário prá turistas tirarem fotos com carinhas vestidos de soldados americanos. Mas essa é a mesma placa que estava lá antes do muro ser derrubado.

Como um cenário…

…prá turista bôbo.

Do lado tem um museu muito interessante, totalmente amador. Um alemão começou a montar essa coleção em 1962, ali mesmo. E a casa onde está o museu era um ponto de ajuda de pessoas que saiam da Alemanha Oriental. Ele foi montando essa coleção com depoimentos de pessoas que fugiram, pessoas que ajudaram outros a fugir, tipos de fuga, etc. É uma bagunça mas dá bem a idéia da dimensão humana do que aconteceu. Tanto sofrimento.

Depois fomos pro Portão de Bradenburgo. É bem bonito, cheio de turistas.

Olha que lindo os cavalos.

E tinha essa traquitana horrorosa. É um “veículo” movido a pedaladas; no meio tem um barman servindo cerveja. As pessoas sentam em volta e pedalam e bebem. E cantam. Aos berros. Uma das poucas vezes na minha vida em que tive vontade de ter uma espingarda.

Tags: ,

29

06 2010

R?binho

Assistindo a Copa em inglês, finalmente…tem um comentador na BBC que tem o mais delicioso sotaque irlandês. Mas em nenhum lugar acertam o nome do Robinho: na Escandinávia e na Alemanha ele era Rubinho e aqui na Inglaterra, coitado, ele é Rabinho…

Tags: ,

29

06 2010

“I’m wondering round and round, nowhere to go…”

Chegamos em Londres. Ainda não postei nenhuma foto de Berlin! Mas também não tirei muitas, porque Berlin não é muito bonita. Às vezes lembra Buenos Aires, às vezes São Paulo. A diferença é que é muito arborizada. Mas ainda está em construção, 20 anos após a queda do muro. Mas também, imagina, reconstruir meia cidade, não é fácil. Projeto, burocracia, política, etc. – nos prédios públicos, como museus, esse processo demora mais ou menos 12 anos. E não dá prá fazer todos ao mesmo tempo, o custo é imenso. Mas eu, que nunca tive vontade de ir prá Alemanha (e mesmo assim já fui 2 vezes!), gostei de Berlin. Não acho que volte, não é nem de longe uma das minhas cidades preferidas. Não gosto da língua – não adianta dizer que é a língua da filosofia, de Goethe, blá blá – acho feia prá burro. E as pessoas, com exceções é claro, são muito literais pro meu gosto, meio ríspidas. Ainda mais depois da Escandinávia, onde todo mundo é extremamente bem educado e gentil. Bom, mas agora tô em Londres, onde me sinto muito em casa. Não é A MELHOR CIDADE DO MUNDO (obviamente Paris) mas tá quase lá.

Tags: ,

26

06 2010

Triste, mas inevitável

Não gostei do Judische Museum de Berlin (museu judaico). A arquitetura é confusa, prá começar. Nunca se sabe prá que lado ir, a gente fica o tempo todo com a impressão de que perdeu um pedaço da exposição, pulou uma sala. Tiveram que pôr flechinhas no chão prá mostrar prá que lado ir – isso não é bom sinal. Em um bom museu o caminho é natural, sem confusão. É uma arquitetura espetacular, mas nada funcional. De cima, como a foto mostra, o museu é uma estrela de Davi desconstruída. Por dentro é um labirinto.

Também não gostei da maneira como o conteúdo foi exposto. Aliás, coisas mesmo tem poucas. Muita tecnologia, muitas fotos aumentadas, pouca personalização. Cada vez mais gosto de museus com poucas peças, de alta qualidade, informação interessante em quantidade palatável e lineares, compreenssíveis. Tratar o material partindo de sua ligação humana – uma carta, por exemplo, só uma, mas contar o contexto, mostrar o rosto, a vida de quem escreveu e de quem recebeu. Esse museu de hoje tem uma imensa quantidade de texto e de história, tudo corrido. A segunda guerra é contada em uma parede! Eles tiveram sucesso, relativo ao meu ver, mostrando como os judeus eram importantes na vida cultural, científica e financeira da Alemanha antes da guerra. Mas ainda assim achei um museu sem emoção – e com esse assunto, não dá prá ser frio. E parece que é visita obrigatória por adolescentes alemães. Tinha um monte de grupos visitando, com aquela cara de saco cheio que só adolescente sabe fazer. Segundo o Vitor e o Pedro, obrigando os adolescentes a visitarem o museu eles estão criando uma geração de anti-semitas. Nada obrigatório nessa idade dá certo…

Ficamos tão desapontados que resolvemos sair de lá e ir ver o que se chama Topografia do Terror. É onde foi o quartel-general da Gestapo, da SS e dos outros comandos nazistas. Depois da guerra tudo foi demolido. E ficou vazio. Em 1987 eles inauguraram esse lugar. Cavaram o terreno, deixaram exposto de um lado o porão da Gestapo, um dos lados é seguido pelo muro da guerra fria (que ali foi deixado). Construíram uma estrutura que parece levitar sobre o terreno e que ocupa apenas 1/4 do espaço. O resto é preenchido por pedras, como mostrando que ali nada pode crescer. Dentro tem uma exposição permanente sobre a formação do nacional socialismo, sua tomada do poder e evolução. Tudo detalhado, extremamente bem explicado, linear, simples. Muitas fotos. A história passsa pela guerra, seus perpetradores, sua vítimas. Fotos mostrando como os alemães abraçaram o nazismo em sua maioria; isso aliás é escrito claramente nos textos. Mostra como eles se sentiam invencíveis e como deram todo o poder prá um bando de pessoas sem o menor caráter e moral. A perseguição e o assassinato de judeus, roma, homossexuais, pessoas que eram contra o nazismo, comunistas. O assassinato de pessoas com defeitos físicos e com retardamento mental. Assassinatos frios e programados. Ali a gente vê as ordens, as promoções, as leis, tudo. O final da guerra e, em um final que combina perfeitamente com o resto, como poucos assassinos e monstros foram castigados – presos ou condenados. Muitos ficaram 4, 5 anos na cadeia. Outros passaram por um processo de desnazificação. Outros foram liberados sem julgamento. Outros nunca foram encontrados. Uma ínfima minoria pagou pelos seus crimes. Um final triste prá uma história mais triste ainda.

Mas também, como vir a Berlin e não ver tudo isso? Foi aqui que tudo começou e daqui tudo foi comandado. No Topographie fica muito claro a mensagem de “esse horror aconteceu aqui, e foi criado por alemães”. E também “vamos refletir sobre isso, saber o máximo possível, tentar entender, prá não se repetir em lugar nenhum do mundo”. Então, se alguém vier a Berlin, recomendo enfáticamente o Topographie des Terrors. E aconselho a pular o Judische Museum.

Tags: ,

24

06 2010

Vitor, o primo

Faz uns dois meses mais ou menos que, passeando pela internet, indo daqui prá ali, cheguei em um texto engraçado assinado por Vitor Knijnik. Engraçado, pensei. Minha tia Rebeca, irmã do meu avô, era Knijnik de casada. Mandei uma mensagem prá ele, prá saber se era meu parente. E não é que era? Neto da minha tia! Explico: meu avô tinha 9 irmãos. Um morreu criança, outro morreu moço e não teve filhos. Todos os outros tiveram filhos que tiveram filhos. É um monte de gente. Conheço alguns, mas uma minoria. Comecei a seguir o Vitor no twitter. Fiquei sabendo que ele tinha ganho o prêmio The Bobs, do Deutsche Welle. Aí ele falou no twitter que estava em Bonn. Mandei uma mensagem de que eu tava em Berlin. Ele respondeu que viria prá cá. Então marcamos encontro hoje à tarde, no Judisches Museum. Conheci meu primo Vitor, que mora em São Paulo, e o qual eu nunca tinha visto, em Berlin. Legal.

Tags: ,

24

06 2010

Roupas reais

Último museu em Estocolmo. É um que reúne as coleções reais de roupas, armaduras e arreios de cavalos. Fica no palácio real.

Essa sela (e arreios) foram dadas para um rei sueco por um rei francês. Um luxo.

Esse era o colete de um rei gordinho.

Essas roupas, acho, são do mesmo rei. Ou teve mais que um rei gordinho…

Roxa e dourada. Será que era de diário?

Essa foi de um príncipe criança.

Sapato de rainha.

Sapatos de princesas no dia do casamento.

Essa tem um vestido de uma rainha do século 18 e, na frente, um vestido da princesa que casou agora, e que será rainha.

Tags: ,

23

06 2010

Taaarde de primavera em Estocolmo, lá lá, taaarde de …

Fui nesse museu; é de arte contemporânea. Muito bom. Pequeno, bom tamanho, obras ótimas.

Aí peguei um barquinho, uma balsa, prá atravessar prá outra ilha.

Prá ver esse museu, o Vasamuseet. Eles descobriram esse barco, que naufragou em 1628. Ele estava em 14.000 pedaços. Como em um quebra-cabeça eles remontaram tudo. Construíram esse prédio especialmente pro barco. É muito, muito legal. Lotado de informação, sobre como os barcos eram feitos, funcionavam, eram usados. Sobre a Suécia do séc. 17, sobre os marinheiros e os objetos encontrados.

Dizem que essas eram as cores originais.

Pegaram os esqueletos encontrados e analisaram a ponto de saberem as doenças, a altura, etc. E de 6 deles refizeram as feições, com a mesma tecnologia que a polícia usa.

Não é incrível?

Tags: ,

23

06 2010

Linda Estocolmo

Tags: ,

23

06 2010

Trivial sueco

Essa soldada fica na frente do palácio real. Uma coisa que notei aqui, ainda mais nesses dias de casamento real, é como tem mulher na polícia e no exército. Muitas.

Essa estátua de São Jorge, no meio de Gamla Stan, é a mais bonita que já vi.

Esse é o prédio da Academia Sueca, onde escolhem os Prêmios Nobel. Tem um museu no térreo que é muito bom. Cheio de informação, sem ser chato. Tem alguns objetos de ganhadores, como os óculos do Dalai Lama, um caderno do Boris Pasternak, a máquina de escrever do Joseph Brodsky, etc. O que mais gostei é que tem um pequeno auditório onde fica passando filmes curtinhos, de 3 ou 4 minutos, sobre os ganhadores. Vi da Marie Curie, do Isaac Bashevis Singer, do Martin Luther King Jr. e do Rabindranath Tagore. Aí tive que sair porque senão perdia o avião prá Berlin, mas dava vontade de passar a tarde ali.

Tags: ,

22

06 2010