O absurdo que é Dubai
Dubai nunca me atraiu. É uma espécie de Las Vegas sonhada por pessoas que consideram a grande maioria da humanidade inferior a elas. Uma aberração no deserto. Luxo sem substância.
Concordo com o que escreve Johann Hari, um colunista do London Independent.
“Dubai finalmente está financeiramente falida – mas esteve moralmente falida desde o começo. A idéia de que Dubai é um oásis de liberdade na península arábica é uma das grandes mentiras do nosso tempo. Sim, tem Starbucks e Dunkin’Donuts e os estilos do Gucci, mas atrás desses enfeites existe uma ditadura construída por escravos.
Os guias de viagens e os Emirados dizem que a cidade foi construída pelo Sheikh Mohammed, o dirigente hereditário do país.
É mentira. As pessoas que realmente construíram a cidade podem ser vistas em grandes grupos de trabalhadores forçados, nas ruas ou no topo dos edifícios mais altos do mundo, num calor tão forte que ocidentais são aconselhados a não ficarem mais que 10 minutos ao ar-livre. Eles são enganados para virem e forçados a ficar.
(…) as embaixadas foram aconselhadas a parar de contar quantos trabalhadores morrem nessas condições a cada ano depois que viram que eram mais de mil somente entre os indianos.
Mas a falência de Dubai não fica só por aí: é ecologicamente um fracasso. Essa é uma cidade construída no deserto escaldante, onde tudo murcha e desaparece se não for mantido artificialmente resfriado todo o tempo. Essa é a razão de Dubai ter a mais alta taxa de emissões de carvão per capita do mundo – por volta de 250 por cento mais alta até que os EUA. A cidade tem que importar água desalinizada – que custa mais caro que petróleo. Quando ficar sem dinheiro, vai ficar sem água”.
É uma idéia absurda, totalmente sem propósito e que nunca deveria ter saído do papel, deveria ter continuado sendo uma loucura na mente de sheikhs que aparentemente não tem muito o que fazer.




























