Archive for the ‘Life’Category

Trivial variado de domingo

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Tem mais gente vivendo dentro desse círculo do que fora dele. Impressionante.

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Adorei. Eu pratico tsundoku religiosamente. E viva o tsundoku.

Eu não sou irlandesa. Aliás, eu não devo ter nem uma gota de sangue irlandês. Nada. Nadinha. Sou judia do leste europeu, provavelmente uma mistura de judeus alemães que foram expulsos para a Polônia nos séculos 13 ou 16, e de judeus do Império Otomano que moravam onde hoje é a Moldova. Bom, isso tudo prá dizer que quando escuto alguém cantando Danny Boy como deve ser, lentamente, com drama, eu viro irlandesa. Começo a sofrer com as memórias dos “troubles”, odeio inglêses e tenho certeza que sou ruiva de olhos verdes desde que nasci.

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05 2013

Porquê?

Tem muita coisa misteriosa no mundo. Uma das que mais me intrigam é porque algumas coisas que podem acontecer a qualquer hora acontecem na pior hora. Aqui nos EUA é obrigatório ter alarme de fumaça em casa; a companhia de seguro exige e os fiscais que inspecionam depois de uma reforma ou construção também. Eu tenho 3 aqui em casa: dois no corredor e um no meu quarto. Eles são ligados na eletricidade e também tem uma bateria. Agora, me explica porque essa bateria sempre, mas sempre, acaba de madrugada. Já tive alarme em várias casas e apartamentos. É sempre a mesma coisa. Duas da manhã, três da manhã, nunca às duas da tarde, às três da tarde. É um apito, um alarme tão forte, que quase mata a gente do coração. Pula da cama, acende a luz, acha uma escada, sobe na escada, desatarracha o alarma do teto, desencacha os fios, desce da escada, tira a bateria. E aí volta prá cama, com o coração acelerado, xingando o alarme, o inventor do alarme, o fabricante do alarme, a mãe do fabricante, a avó do inventor, e assim por diante. É ou não é uma coisa misteriosa?

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05 2013

Mídias sociais: que lindo é tudo!

Essa coisa de mídias sociais, né. Não vou escrever nada de original sobre o assunto, tenho certeza. Eu pessoalmente gosto muito das mídias sociais; gosto de twitter, instagram e facebook. Mais que 3 não tenho capacidade nem vontade de usar. É mais que suficiente. Gosto dessa coisa de saber o que tá acontecendo na vida das pessoas que conheço, gosto de saber o que tá interessando a elas, o que elas estão assistindo, lendo, pensando. Ainda mais eu que moro longe de todos. Vejo as crianças crescendo, amigos comemorando, viajando. No instagram e twitter também sigo pessoas que admiro, autores e pensadores, atores, jornalistas. Enfim, acho genial toda a idéia e muitas vezes a execução. Mas – e sempre tem um mas – principalmente no facebook existe um descompasso bem grande entre a vida real e a vida mostrada. Não pode ser que todo mundo ali seja tão feliz. Que as viagens sejam sempre maravilhosas. Que os filhos sejam todos perfeitos. Que os dias sejam tão lindos, cheios de flores, pôres de sol tão magníficos, amanheceres tão esplendorosos. Cadê as viagens que foram um fracasso? A vontade de voltar prá casa no segundo dia? Cadê os filhos com namoradas ou namorados que dão arrepio? Com amigos que você não queria nem que eles soubessem que existem? Cadê o dia depois da noite com intoxicação alimentar? Cadê as brigas por dinheiro? Cadê as/os amantes? As mentiras? As puxadas de tapête? As facadas nas costas? As fases ruins? Os momentos difíceis? A impressão que tenho é que a pessoa pode estar num buraco daqueles mas na hora de postar no facebook ela põe uma máscara e mente deslavadamente. Conheço gente daquele tipo que vive com a pedra na mão, bem paranóica; esses não aguentam o facebook, entram e saem. Não serve prá eles essa vida inventada, onde não existe o desgosto, o ataque, o dia cinza. Eu olho e leio o meu facebook, ponho tudo numa peneira e vejo o que passa. É que nem televisão, tem que consumir com olhar crítico. De vez em quando me distraio e me pego pensando que vida besta eu tenho, como a desse ou daquele é mais interessante. Mas logo caio em mim e sei que aquilo tudo é, como se falava antigamente, prá inglês ver.

14

05 2013

Compro? Ou não compro?

Mais de 800 mortos na fábrica em Bangladesh. Uma tragédia, etc. e tal, todos os lugares comuns publicados pela imprensa quando alguma coisa assim acontece. Bangladesh é um dos países mais pobres do mundo. A indústria de confeção conseguiu a proeza de levar ao país 18 bilhões de dólares por ano. É uma maravilha prá um lugar com a pobreza endêmica de incontáveis gerações como Bangladesh. Mas pobreza nunca tem uma causa só, e uma delas é a corrupção do governo e da burocracia. O círculo vicioso de fiscais corruptos, govêrno indiferente, empresários gananciosos e companhias estrangeiras que querem o produto mais barato possível leva ao que aconteceu. Logo se levanta o coro prá se boicotar produtos de Bangladesh. Mas o que acontece com os trabalhadores de lá, que se não tiverem esse emprego – mesmo mal pago, mesmo sem segurança – não tem como sobreviver e sustentar suas famílias? É complexo (e o que não é?). Se há boicote, os trabalhadores sofrem. Se não há, a situação continua a mesma, exploração, falta de segurança, etc. Se boicotamos as empresas aqui nos EUA que contratam as fábricas em Bangladesh elas simplesmente abandonam o país e levam rapidamente o seu “business” prá outro lugar necessitado, que os espera de braços abertos. Se pressionamos o governo americano através de deputados, senadores, abaixo-assinados e afins ele pressiona o governo de Bangladesh e até que tudo isso aconteça se passaram décadas. Qual é a solução? A ideal seria que as companhias estrangeiras fiscalizassem todas as fábricas que fazem serviço para elas no mundo inteiro; que tivessem um sistema de supervisão que incluísse segurança, salários justos e máximo de horas de trabalho. Se a fábrica não cumpre é descartada. Mas e o lucro? Um sistema assim custa dinheiro. E essas companhias cortam todos os centavos a mais, são máquinas eficientes de maximizar o lucro. Algumas ainda tentam, principalmente essas que tem como cliente alvo a classe média mais informada, como J. Crew e Ralph Lauren. Mas a Walmart não tem jeito; sua clientela não se importa se tem gente morrendo do outro lado do mundo se eles podem comprar uma camiseta por 5 dólares. Na verdade eles nem sabem onde fica Bangladesh. Não é preconceito não, é a realidade. A Walmart e afins tem como consumidores a classe média baixa do vasto interior dos EUA, e nas partes mais pobres das cidades. E muitas vezes, no interior, é a única loja grande da região. Ninguém vai andar duas horas de carro até a cidade maior mais próxima prá salvar alguém em Bangladesh. Vai gastar gasolina, tempo e não vai achar camiseta por 5 dólares. E nos bairros mais pobres as pessoas vivem de pagamento a pagamento, não tem um centavo a mais. Não estou julgando se está certo ou errado, mas só falando como é. É uma situação difícil, com solução mais difícil ainda. E quando eu encontrar na Target uma ótima camiseta, prá mim ou prás netas, com o preço de 12 dólares e a etiqueta marcando que foi feita em Bangladesh, ou na Indonésia ou em Gana ou na Etiópia ou na Guatemala? Compro ou não compro?

08

05 2013

Não entendo!

Não entendo bem algumas coisas. Melhor, não entendo bem muitas coisas. Exercício é uma delas. Me sinto melhor quando faço, sei que prolonga a vida e que além disso dá mais qualidade à esse prolongamento. Mas não é natural, pelo menos prá mim. É um esforço juntar a energia necessária prá sair de casa e ir na academia. Vai contra minha essência, meu mais profundo eu! Eu brigo com esse eu, falo prá ele que faz bem, etc. e tal, mas ele não se convence. E quando vejo essas pessoas correndo aqui, um calor danado, eu com uma moleza gigantesca e eles correndo, correndo! Impressionante como, apesar de sermos iguais em muitas coisas, somos tão diferentes em outras.

Outra coisa que não entendo é essa mania hoje em dia das pessoas serem ocupadíssimas, todos os minutos do dia agendados. É uma competição de quem tem menos tempo, de quem faz mais coisas. Que absurdo. Se você não tem seu dia todo dividido e briga com o relógio você não conta. Te olham como se você fosse uma louca. Mas prá mim louco é quem não pára, quem dorme 5, no máximo 6 horas por noite, quem diz com orgulho que gostaria que o dia tivesse mais horas. Essa insanidade, pelo que eu saiba, é inédita na história da humanidade. Sempre se teve tempo prá pensar, olhar o mundo, conversar. Do mais pobre ao mais rico, do analfabeto ao erudito, o olhar em volta e refletir sempre existiu. A luz elétrica é uma das culpadas, nem a noite nos dá folga. A necessidade de consumir inúmeras coisas é outra; prá pagar tudo isso se tem que trabalhar muito mais. Tem que ter seguro, do carro e da casa. E pagar impostos, pessoais e territoriais. E filho tem que ir na escola, 20 anos pelo menos de escola e afins. Tem que usar roupa na moda, em excelente estado, e ter muita. A casa tem que ter tudo prá todos, ser um refúgio, um mini-mundo pessoal. E a vida social? Cinema, teatro, restaurante, shows. Presentes. Férias. O custo de tudo isso é gigantesco. Só se trabalhando todas as horas do dia. E se tem que ser mãe e pai perfeito, e filho exemplar. Vivemos numa época em que nada é perdoado ou não comentado, uma época de julgamento também em todas as horas do dia. Imagino um aquário, com um peixe nadando muito, mas muito depressa, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Assim somos nós hoje em dia. Não pode ser bom.

30

04 2013

Angola, Espanha, Cupim

Parabéns prá Angola, que proibiu as igrejas evangélicas brasileiras no país. Elas não são nada mais do que pura exploração de pessoas ignorantes e muitas vezes desesperadas. Se aproveitam dos mêdos, das dificuldades e dos problemas das pessoas prá enriquecerem. Simples assim. Ali não tem nenhuma espiritualidade, compaixão ou vontade de ajudar. Viva Angola.

O desemprego na Espanha – que é igual ao da Grécia – atingiu 27% da população. Isso é uma loucura. É o mesmo nível de desemprego da Grande Depressão dos EUA depois de 1929, e da República de Weimar na mesma época na Alemanha. Esses são sempre os exemplos extremos de desemprego no século 20. O que vai acontecer com esses países? Nunca imaginaria ver países europeus numa crise assim. O que eu faria na Espanha – num momento de loucura, imagine que eu tenho o poder de fazer qualquer coisa pela Espanha! Eu colocaria na rua, demitiria, a família real, que custa uma fábula e não serve prá nada. Além do que agora tá envolvida em um escândalo de corrupção. E o rei tem uma amante loirona bonitona com a qual gastou uma grana de dinheiro público. Rua neles. A Espanha tem primeiro-ministro, tem parlamento. Não precisa dessa família real. É um começo.

Game of Thrones tá uma delícia essa temporada. Como sempre.

Minha casa tem cupim. Aqui no sur de la Florida, como em São Paulo, tem muito. Só que aqui eles cobrem a casa toda com uma lona e colocam veneno. A gente tem que ficar dois dias em outro lugar, e tirar toda a comida da casa. As plantas encostadas na casa morrem, e eu já tô chorando meus dois jasmins no jardim de trás e minhas samambaias no da frente. Mata tudo: cupim, barata, formiga e afins. Que trabalho, que encheção, que preguiça.

29

04 2013

Domingo

Domingo

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28

04 2013

Estressada

Pita escondida 4:13

A Pita tá escondida; não aguenta mais ver as notícias na tv, nem ler na internet. Tá estressada demais. Essa coisa da globalização dá nisso. Globalizam o Game of Thrones, as bolsas Vuitton, globalizam a Beyoncé, mas globalizam a merda também. Olha aí o conflito Rússia-Chechnia aparecendo em Boston, numa segunda-feira de abril, provocando um horror a milhares de quilômetros de distância. Conflito globalizado, conflito fora de lugar. Hoje em dia temos que viver tudo o que acontece no mundo, não bastam as nossas tragédias e comédias locais. Temos que viver o Congo, a Somália, a Líbia, a Síria, a Chechnia. Temos que viver a crise grega, a violência no México, e a Coréia do Norte. Não existe mais a ignorância; quem não sabe é porque não quer. Eu não consigo viver sem saber, mas tenho uma profunda inveja de quem consegue. Aquelas pessoas prá quem você pergunta “viu o que aconteceu com a situação do Congo? ” e eles respondem “não, tá acontecendo alguma coisa lá?”. Ai que inveja.

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04 2013

É

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04 2013

Cotidiano

Cotidiano

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04 2013