É uma beleza ver a democracia em ação. Muitos americanos, a grande maioria, não tem idéia disso e nem vota. Eu, criada na ditadura, acho uma coisa linda. Tá certo que já vemos isso no Brasil faz muitos anos agora. Tanto aqui quanto aí são processos imperfeitos, cheios de buracos e problemas, mas ganham de longe de qualquer alternativa. Mesmo esse sistema eleitoral complicado e barroco dos EUA, que é uma coisa, como dizia a minha querida avó, prá “cabeça de ministro” é uma belezura. Até concluí que prá ser deputado ou senador aqui não dá prá ser muito burro, porque prá entender o processo e conseguir trabalhar dentro dele tem que ser no mínimo razoavelmente inteligente.
Eu não ia assistir nada ontem, não queria ficar nervosa/estressada/louca. Mas não é que fiquei seguindo a apuração, ali colada na tv, das 7 da noite até às 2 da manhã? Só fui dormir depois do discurso do Obama. Que aliás, achei muito bom. O homem tem classe.
Mas ele vai ter que lidar com um monte de questões difíceis. A situação econômica da Europa, que vai de mal a pior, vai afetar o mundo todo. Qualquer coisa que ele queira fazer aqui nos EUA – e tem muita prá ser feita – vai ser uma luta, porque os republicanos vão ficar na frente e impedir (eles são maioria na câmara de deputados). Os republicanos vão se matar prá eleger alguém daqui a 4 anos. Vão se dedicar a isso e não ligar muito pro resto. Mas o Obama tem a vantagem de não poder se candidatar em 2016, então pode fazer mais sem pensar no efeito disso na sua reeleição. Vamos ver o que vai acontecer. Eu odeio política, mas não dá prá viver sem saber o que acontece. Afinal, é das nossas vidas que eles estão tratando. E é um alívio saber que por 4 anos o presidente acredita no aquecimento global, em direitos iguais para todos, na ciência e não na Bíblia, no direito de alguém casar com quem quiser, etc. Agora ele precisa melhorar na regulamentação do mercado financeiro, em parar com essa coisa dos EUA ser a polícia do mundo e prestar mais atenção na América Latina e na África. Acabar com as guerras e com a dependência do petróleo. Só isso. Fácil.