Eat Pray Love
Eu li o livro quando foi lançado, faz alguns anos.
Não achei grande coisa. Fez um sucesso danado, vendeu milhões de cópias no mundo todo. Mas achei raso, falso, auto-ajuda disfarçada (ou nem tão disfarçada assim). Talvez no filme melhoraram a estória, pensei. Porque um livro pode ser transformado em filme de inúmeras maneiras. Mas não; o filme é tão ruim ou até pior que o livro. E a culpa, a meu ver, é do diretor.
O que me incomodou em ambos: essa coisa de auto-ajuda, disfarçada ou não, é uma bobagem. A única auto-ajuda que funciona - e nem sempre – é a psicoterapêutica. O resto engana. No caso do Eat Pray Love a autora cria expectativas inalcançáveis: você viaja, o que já supõe que você tem meios prá isso. Chega nos lugares e conhece as pessoas perfeitas; nada de conhecer gente malandra, ser enganado, ou descobrir que seu novo amigo/a é na verdade viciado em alguma coisa ou trabalhou como escort quando mais moço…não, todo mundo é bom e lindo! Aí você é ajudado a ter os insights mais profundos, ou por essas pessoas maravilhosas ou por sinais (ai ai ai). E no final você encontra não só a felicidade como o amor, na figura de Javier Bardem no filme. Vai colocar expectativas impossíveis assim no quintos dos infernos!
Outra coisa: a personagem principal, que é a escritora Elizabeth Gilbert, porque isso é uma auto-biografia, prá mim é a perfeita mimada do primeiro mundo – principalmente dos EUA. Vive uma vida tão privilegiada que não tem idéia do que é ter problemas de verdade; tem um divórcio fácilimo, no qual ela chutou o marido e sofre como se tivesse descoberto que o marido teve 10 amantes ou passou HIV prá ela ou que ele era um espião russo…Ela tava simplesmente entediada, “procurando ela mesma”. Vai ser bôba assim no outro canto. Dá prá notar que isso me irrita? O divórcio não era razão prá tanto barulho. Eu acho que o que aconteceu foi completamente diferente, o que faz com que as memórias dela sejam mais do que fabricadas. E sendo assim não são memórias, é pura fição. O que ela diz é que depois do divórcio resolveu ir prá Roma, Índia e Bali prá achar ela mesma, o seu caminho, blá blá blá…E aí voltou, escreveu o que aconteceu e virou um sucesso, o que foi uma absoluta surpresa, ai meu deus, como o universo é justo, sofri tanto então estou sendo recompensada, e além de tudo ajudando a milhões de mulheres a escaparem das suas vidas sofridas!
Sem contar que o marido dela é o Billy Crudup,
aí ela tem um caso com o James Franco,
e termina casada com o Javier Bardem…
O que eu acho que aconteceu de verdade: ela já era uma escritora publicada, com certo nome. Divorciou, escreveu a proposta de um livro prá sua agente vender prás editoras. Nesse livro ela iria passar 4 meses em Roma, 4 na Índia e 4 em Bali, e iria escrever como essa experiência a ajudou a ultrapassar um divórcio. Uma escritora experiente, uma proposta bem escrita, uma boa agente: livro vendido. Com o livro vendido ela faz a viagem e escreve uma versão muito editada e ficionalizada do que aconteceu. Pronto. Sucesso total.
Ela é uma mulher inteligente e uma escritora razoável. Não acho que tivesse má intenção. Mas queria fazer um livro que vendesse, que fizesse sucesso. Usou uma fórmula e funcionou. Acho inclusive que ela é bem mais inteligente que o livro dela.
Agora, no filme, a fotografia é legal, os lugares deliciosos. A Julia Roberts não sei o que fez; quanto mais velha mais bonita. O filme, aliás, deveria se chamar “Nossa como a Júlia Roberts é bonita!”. E o cabelo dela no filme: é absolutamente incrível. O filme é feito de incontáveis close-ups dela. A gente passa duas horas e meia olhando prá ela; existem experiências piores…Ela é tão expressiva; pena que não faça filmes mais sérios. Eu gosto dela. E o Javier Bardem como brasileiro tá até que bem. Fala até umas coisas em português. Fiquei pensando se não tinha um ator brasileiro qie pudesse ter feito esse papel e não achei nenhum. Quem são os atores de mais de 40 anos ( mas não perto dos 70…) que encaram uma tela grande? O José Mayer é feio que dói. O Wilker não tem alcance. Quem mais? Não sei.
De qualquer maneira, concluo mais uma vez que estou cada vez mais séria, chata e exigente. E não tem volta atrás.




























